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terça-feira, 24 de agosto de 1999
Por Edmilson Ferreira 
Rio Branco, 25 (AE) - A CPI do Narcotráfico dividiu em duas etapas os trabalhos de investigação da participação do deputado Hildebrando Pascoal com o esquadrão da morte e o tráfico de drogas. Há uma semana, um grupo de agentes da Polícia Federal começou a fazer buscas sigilosas para encontrar a fita de vídeo em que Hildebrando apareceria serrando uma pessoa, mas, segundo informações não oficiais, ela não foi achada. A existência dessa fita vem sendo repetidamente afirmada pelo traficante Valtermir de Oliveira, o Palito, que propôs à Justiça trocar a fita por sua liberdade.
A segunda etapa foi deflagrada ontem (24), com a chegada a Rio Branco do procurador da República, Luís Francisco da Silva. A PF e o Ministério Público Federal estão tomando depoimento e recolhendo provas para subsidiar os pedidos de prisão que serão feitos à Justiça no próximo mês, segundo pretende Luís Francisco.
E na segunda-feira (30), chegam ao Acre dez membros efetivos e um suplente da CPI do Narcotráfico, que farão a acareação entre denunciantes e acusados, como a deputada estadual Naluh Gouveia (PT) e dez empresários da cidade de Cruzeiro do Sul (700 quilômetros de Rio Branco). Naluh acusou os empresários, em depoimento à CPI, de ter enriquecido com o tráfico de drogas. Com as provas e os depoimentos de novas testemunhas, a CPI começa a pedir a prisão dos envolvidos -"entre 20 e 30 pessoas", segundo o procurador Luís Francisco.
Ele afirmou hoje que já tem identificado três organizações clandestinas ligadas ao tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e crimes hediondos no Acre. A CPI pediu ao governador Jorge Viana (PT) a realização de uma campanha para estimular a população a denunciar "tudo que envolva o narcotráfico e os grupos de extermínios". As testemunhas, garante o procurador, serão incluídas no programa de proteção criado pelo Ministério da Justiça.


