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terça-feira, 24 de agosto de 1999
Por Soraya de Alencar e César Felício 
Brasília, 25 (AE) - Em depoimento à CPI dos Bancos, ontem (24) à noite, o ex-presidente do Banco Central, Gustavo Franco, defendeu a política cambial de bandas que manteve até janeiro e disse que faria tudo "igualzinho" se precisasse repetir. Franco rebateu à acusação feita pelo senador Pedro Simon (PMDB-RS) de que teria provocado um prejuízo de US$ 50 bilhões ao País ao insistir naquela política. "Não sei como foi feita esta conta", rechaçou.
Durante cinco horas e meia, Franco e o também ex-presidente do BC Gustavo Loyola prestaram depoimento à comissão - apenas seis senadores estiveram presentes. A discussão entre Simon e Franco ocorreu na última hora do depoimento, na madrugada de hoje. O senador quis saber por que Franco insistiu na política de bandas. "A política, senador, nunca foi minha", afirmou. "A política sempre foi do presidente. O presidente foi quem decidiu mudá-la, ele é o dono da política cambial."
Simon demonstrou impaciência. "Quem fez a cabeça do presidente?", perguntou, para acrescentar: "O presidente não entende de economia." Franco disse que a política cambial de bandas foi discutida com a equipe econômica, com o ministro da Fazenda, Pedro Malan, e o presidente. "Faria tudo igualzinho", assegurou o ex-presidente do BC. Para Franco, o que faltou ao Brasil foi fazer o dever de casa e cumprir o pacote 51, medidas fiscais elaboradas depois da crise da ásia mas que não chegaram a ser totalmente implementadas pelo governo.
Simon questionou a ampla abertura da economia, com o aumento das importações no início do Plano Real que, segundo ele, quebrou muitas indústrias. Franco defendeu as políticas adotadas e disse que, em julho de 94, o nível de importações brasileiras era pior que o da União Soviética. "Nem a Índia tinha uma importação tão pequena". E insistiu: "A abertura precisa de um certo choque de importações". Segundo o ex-presidente do BC, "o industrial que vive numa estufa adquire uma certa preguiça tecnológica".
Franco também foi questionado pelo senador Eduardo Suplicy (PT-SP) sobre a responsabilidade pelo vazamento da informação sobre sua saída do BC. Suplicy perguntou se ele não teria conversado com amigos e "vazado involuntariamente" a informação. Irritado, Franco rebateu: "A resposta é não." E justificou: "Sempre soube guardar segredo quando o interesse público estava envolvido."
Franco e Loyola recusaram-se a julgar o ex-presidente do BC, Francisco Lopes, e sua decisão de autorizar as operações de socorro aos bancos Marka e FonteCindam, na crise cambial de janeiro último. "As circunstâncias têm que ser consideradas", disse Loyola.


