Manaus, 25 (AE) - O vereador Marcos Cavalcante (PFL-AM) fugiu do processo de cassação que seria aberto ontem (24) à noite pela Câmara Municipal de Manaus e renunciou ao cargo minutos antes de os vereadores iniciarem a votação da Comissão Processante. Capitão reformado da Polícia Militar, Cavalcante, de 38 anos, foi o principal acusado pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investigou irregularidade na Empresa Municipal de Transportes Urbanos (EMTU). Com a renúncia, Cavalcante preserva seus direitos políticos e ainda poderá assumir uma vaga na Assembléia Legislativa, onde é primeiro suplente.
A CPI da EMTU foi criada há quatro meses, depois que o próprio Cavalcante, também ex-presidente da EMTU, denunciou manipulação nos índices das planilhas que definem os reajustes das tarifas de ônibus.
De acusador o vereador Marcos Cavalcante passou a acusado de favorecer a empresa com contratos sem licitação, beneficiar cabos eleitorais e de doar terrenos públicos na última campanha eleitoral. Antes da renúncia, Cavalcante fez um discurso de duas horas e meia e insinuou que os vereadores desviaram a investigação inicial sobre os erros das planilhas e restringiram a apuração dos fatos apenas ao período em que ele foi o presidente da empresa. "Nenhum vereador resistiria a uma devassa semelhante a que fizeram comigo", disse Cavalcante. Ele acusou o presidente da Casa, vereador Messias Sampaio (PRP), de esquizofrênico. Na segunda-feira, Sampaio xingou o colega Hélio Ferreira (PFL) depois de um desentendimento sobre os rumos da CPI.
O relator, vereador Leonel Feitosa (PDT), disse que as denúncias apuradas contra Cavalcante serão encaminhadas ao Ministério Público Federal, que já o denunciou à Justiça por improbidade administrativa.

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