Brasília, 25 (AE) - Os ex-presidentes do Banco Central (BC) Gustavo Loyola e Gustavo Franco recusaram-se a julgar a decisão do ex-presidente da instituição Francisco Lopes em autorizar as operações de socorro cambial aos Bancos Marka e FonteCindam, em janeiro.
Os dois reconheceram que o mercado financeiro vivia, naquela ocasião, momentos de grande turbulência, o que impede, a quem estava do lado de fora, um julgamento apropriado sobre se havia ou não o alegado risco sistêmico.
Loyola e Franco fizeram a declaração ao prestar depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Bancos do Senado, que entrou pela madrugada de hoje.
O ponto alto da sessão ocorreu nos primeiros minutos da madrugada, quando o senador Pedro Simon (PMDB-RS) responsabilizou Franco - com a insistência em preservar a política cambial de bandas - pela perda de US$ 50 bilhões nas reservas externas.
Franco negou a acusação, defendeu a política e fez várias considerações sobre as mudanças ocorridas na economia brasileira nos últimos anos. "A política, senador, nunca foi minha; a política sempre foi do presidente, que houve por bem a modificar, quando achou que tinha de modificá-la, e o fez", afirmou Franco, ao que Simon respondeu: "Não faça injustiça com o presidente, meu caro; ora, coitado do presidente Fernando Henrique, quando o sr. diz que ele foi o responsável por isso."
"A impressão que tenho é que V. Exa. e que o Malan (Pedro Malan, ministro da Fazenda) é que defendiam essa tese; eu concordo que a responsabilidade é do presidente, mas que a co-responsabilidade, que quem fez a cabeça do presidente, a impressão no Brasil inteiro, é que foram V. Exa. e o ministro Pedro Malan", completou o senador.
Franco prosseguiu, argumentando que "o processo de abertura faz às vezes os empregos mudarem de endereço, e isso faz o País ficar mais igual". "Eu temo que, agora, por causa da desvalorização em excesso, o processo de abertura reverta-se e, portanto, a falta de incentivo proporcionado pela competição reverta alguns dos processos e das condutas que levam ao aumento da produtividade", atacou.
Questionado pelo senador se não mudaria nada do que fez à frente do BC, Franco respondeu: "Eu faria igualzinho; não mudava nada; é claro que, se eu soubesse que viria a crise da ásia, a crise da Rússia e tal, eu teria alertado os meus superiores para ir com mais rigor, com mais velocidade, mais a fundo com as reformas, para que estivéssemos preparados para enfrentar esses desafios quando eles se apresentaram."

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