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terça-feira, 24 de agosto de 1999
Por Cláudia Dianni 
Brasília, 25 (AE) - Governo, montadoras e trabalhadores não chegaram a um acordo hoje sobre a prorrogação do regime especial do setor automobilístico, que reduz o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) dos carros. Amanhã o governo, a Anfavea e os sindicalistas vão manter contatos telefônicos para tentar chegar a um consenso. Na prática, o IPI volta amanhã a sua alíquota original, 10% para carros populares e 25% e 30% para carros médios, se houver faturamento de carros, como disse o presidente da Anfavea, José Carlos Pinheiro Neto. "Vai depender de cada montadora esperar ou não o acordo", disse.
O secretário de Política Industrial, Hélio Mattar, chegou à mesa de negociação com a proposta de prorrogar o regime por 60 dias, mas com aumento de um ponto percentual no IPI, que subiria de 7% para 8% para os populares e de 20% para 21% para os carros médios. Em troca, o governo queria a manutenção dos empregos no setor por 120 dias e que o IPI não fosse repassado aos preços. As montadoras não aceitaram a proposta e garantiram apenas a manutenção de preços por 45 dias, até 15 de outubro, e de empregos por 60 dias, até 30 de outubro.
O governo recuou de sua proposta original e diminuiu de 120 para 90 dias o prazo para a estabilidade dos empregos e aceitou o repasse do aumento do IPI para os carros médios. "O preço dos carros médios não é tão sensível ao consumo como são os populares", disse Matar. Apesar de a discussão continuar, o secretário disse que não vê maneiras de o governo fazer mais concessões.
"O setor automobilístico teve prejuízo de R$ 1,7 milhão no primeiro trimestre", disse Pinheiro. Segundo ele, o levantamento foi feito pelas auditorias Enerst Young e Trevisan. O secretário disse que o governo concordou em repassar o aumento do IPI ao preço dos carros médios porque reconhece que houve aumento de custos por causa dos insumos.
Segundo o secretário, foi possível recuar em trinta dias na manuntenção dos empregos porque a prorrogação do regime especial depende do início do Programa Nacional de Renovação de Frotas, com o qual o governo espera aquecer o setor aumentando a produção e criando empregos. O governo espera começar o projeto de maneira experimental em 30 dias. O programa está pendente de acordo com o governador Mário Covas, que prefere que o bônus que será trocado por cerca de cinco milhões de carros, como prevê o governo, sirva apenas para a compra de carros novos.
"Será muito difícil para uma pessoa sair de um carro com 15 anos de uso e comprar um novo, elA terá dificuldade de crédito", prevê o secretário. Além disso, o governo ainda está desenvolvendo com o Ipea e as indústrias Gerdau e Belgo Mineiro um modelo de centro de reciclagem. "Estamos tentando acordo com as montadoras para que cada uma seja responsável pelo recolhimento e armazenamento das sucatas até que os centros de reciclagem estejam prontros".
Até a semana passada, o governo resistia em prorrogar o regime especial aumobilístico. De acordo com o secretário, a demanda por carros não estava justificando a renúncia fiscal, mas o presidente Fernando Henrique Cardoso e o ministro do Desenvolvimento, Clóvis Carvalho, teriam recebido muitos apelos dos sindicatos.
Os sindicalistas querem a estabilidade do emprego por 120 dias e não querem que o aumento do IPI seja repassado aos preços. "Não é justo termos a manutenção de nossos empregos às custas do contribuinte", disse Paulo Pereira da Silva, o Paulinho da Força Sindical.


