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terça-feira, 24 de agosto de 1999
Por Cláudia Dianni 
Brasília, 25 (AE) - O enviado especial dos Estados Unidos para as Américas, Kenneth MacKay, um produtor de cítricos da Flórida que tomou posse do cargo em março, não apontou nenhuma perspectiva para a redução da tarifa de 49% imposta ao suco de laranja brasileiro ou a outros produtos. MacKay esteve hoje no Brasil para discutir com o presidente Fernando Henrique Cardoso e ministros a agenda comercial com o Brasil e a criação da área Livre de Comércio das Américas (Alca).
As barreiras comerciais impostas à importação de produtos brasileiros nos Estados Unidos, especialmente ao aço laminado a quente e ao suco de laranja, terão de esperar pelo cumprimento do cronograma comercial multilateral, segundo o norteamericano, o que pode estender-se até 2005, data estimada para a criação da Alca.
"Antes, eu costumava pensar que o Brasil era o maior risco para a produção de cítricos, mas depois que perdi toda minha plantação em três geadas fora de época, mudei de idéia", disse. Segundo MacKay, os produtores de suco de laranja brasileiros nos Estados Unidos "estão tão adaptados que é difícil identificar quem são os brasileiros e quem são os americanos." Do total de produtores de suco de laranja nos Estados Unidos, 30% são brasileiros.
O secretário se reuniu com os ministros da Fazenda, Pedro Malan, das Relações Exteriores, Luiz Felipe Lampreia, e com o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior
Clóvis Carvalho, que disse a McKay que o Brasil está preocupado com o acesso aos mercados internacionais e partilha com os Estados Unidos a doutrina de liberalização de mercados.
O ministro também falou a McKay sobre a meta de aumentar as exportações brasileiras para os Estados Unidos de US$ 51 bilhões, em 1998, para US$ 100 bilhões, até 2002. O norteamericano reconheceu que o que o Brasil enfrenta dificuldades naquele mercado. "Mas é para isso que há negociações", disse.
Mercosul - Ele disse não acreditar que os atuais problemas comerciais entre Brasil e Argentina, no âmbito do Mercosul, possam prejudicar a criação da Alca. "Admiro a maneira madura com que os presidentes Fernando Henrique e Carlos Menem estão conduzindo esse processo", disse.
O secretário também evitou comentar a situação do aço brasileiro e limitou-se a lembrar que os dois países já chegram a um acordo. Os Estados Unidos arquivaram a investigação aberta no Departamento de Comércio, em outubro de 1988, sobre prática de dumping e subsídios às exportações brasileiras de laminados a quente.
O acordo fixou uma cota 295 mil toneladas anuais para o Brasil, em caso de denúncia de dumping, o que equivale a uma redução de 27% em relação ao volume de exportação de 1997 e 1998. Além disso, o preço da tonelada de chapa foi elevado de US$ 278 para US$ 327.
Segundo MacKay, há várias questões que precisam ser discutidas com as autoridades brasileiras na questão comercial, por causa da proximidae da Rodada do Milênio, da Organização Mundial do Comércio (OMC), que começa em novembro, em Seattle. O enviado especial não especificou, porém, quais seriam os detalhes discutidos.
"Acredito que com a nova realidade do século que se inicia haverá um sistema comercial globalizado que não permitirá que nenhuma nação se esconda atrás de medidas protecionistas." Entre o discurso liberal norteamericano e a concretização da abertura comercial, porém, há um déficit comercial de cerca de US$ 1 bilhão para o Brasil este ano.
O novo enviado especial para as Américas disse que não há nenhuma instrução da Casa Branca para iniciar negociações de livre comércio individualmente com os países do continente, idéia lançada por seu antecessor Thomas McLarty depois que o Congresso norteamericano negou ao presidente Bill Clinton o "fast track", que garantiria liberdade de negociação comercial ao presidente americano. Ele afirmou também que ainda não está decidido se Clinton enviará o pedido de "fast-track" à Casa dos Representantes este ano.


