Brasília, 25 (AE) - Decepcionado com a derrubada do projeto de lei que permitiria a renegociação das dívidas dos produtores rurais, o agricultor Mário Kruger despediu-se hoje do Distrito Federal queimando o único bem que disse ter restado da venda de sua fazenda na cidade de Rio Verde (GO), em protesto contra o governo federal: um trator Deutz, fabricado em 1968 e avaliado em cerca de R$ 5 mil.
Kruger, que é casado e pai de dois filhos, afirmou ter vendido a sua fazenda na qual plantava soja e milho para pagar a dívida com o Banco do Brasil. "Essa foi a única solução que eu encontrei para sair do endividamento", afirmou o agricultor. "Queimar esse trator velho foi a forma que encontrei de demonstrar a minha indignação contra a forma como fomos tratados pelo governo federal."
De acordo com a Polícia Militar, cerca de 60 manifestantes participaram do protesto. Eles atearam fogo ao trator por volta das 14 horas e impediram o Corpo de Bombeiros de apagar o incêndio. O fogo queimou a grama seca da praça.
Vários agricultores ameaçaram agredir uma equipe de jornalismo da TV Brasília, porque os confundiram com jornalistas da TV Globo. Eles acusaram a emissora de ser contrária à renegociação das dívidas. Quando a equipe da TV Globo chegou ao local, depois de alguma resistência, acabaram concordando em gravar entrevistas.
O coordenador do movimento Mobilização Acordo Rural, Homero Pereira, disse que a quima do trator foi um ato isolado e não foi previamente planejado. "Foi um ato isolado, que pode ocorrer porque todo mundo tem sangue na veia e essa foi a forma encontrada por esse agricultor para demonstrar a sua indignação", afirmou Pereira. Ele garantiu que, depois da passeata até o Congresso e do "buzinaço", os caminhões deixariam a Esplanada dos Ministérios.
A expectativa era que os agricultores aderissem à Marcha dos 100 Mil, prevista para as 9 horas de amanhã (26). De acordo com Pereira, os ônibus e caminhões começaram a retornar hoje à tarde para os seus estados.

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