Rio, 25 (AE) - O País perdeu 140 mil postos de trabalho de junho para julho, num recuo de quase 40% no avanço conseguido no primeiro semestre do ano. O resultado significou a quebra de um crescimento na ocupação que vinha se mantendo nos últimos dois meses, freando o aumento do desemprego. Em julho, a taxa de desemprego aberto ficou em 7,5%, um saldo quase igual ao do mês anterior, de 7,8%, e inferior ao registrado em julho de 1998: 8%
como divulgou hoje o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Este ano, dificilmente o índice de desemprego será menor do que os 7,6% registrados em 98.
"O conjunto de variações mostra que o mercado de trabalho ainda está restrito e encontra dificuldades em se ampliar", comentou a consultora econômica da Divisão de Pesquisa Mensal de Emprego do IBGE, Shyrlene Ramos de Souza. A pesquisa foi feita com amostra de 40 mil domicílios das seis maiores regiões metropolitanas do País. Juntas, elas representam um quarto da população economicamente ativa (os ocupados e os que estão à procura de emprego) nacional, que era de 75 milhões em 1997, de acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (PNAD).
O saldo é que das cerca de 18,750 milhões de pessoas em condições de trabalhar nesta região, somente 16,338 milhões estavam efetivamente ocupadas em julho. Mas os restantes 2,412 milhões sem trabalho não correspondem a um número absolutamente correto da população à procura de emprego no País inteiro, já que a PNAD inclui na população economicamente ativa pessoas acima de 10 anos. Na Pesquisa de Emprego, contam apenas os maiores de 15 anos.
Pelos dados do IBGE é de 1,329 milhão o número de desocupados nas seis regiões metropolitanas pesquisadas. Cerca da metade deles (630,710 mil) em São Paulo. Do total de pessoas procurando trabalho, 27,8% são chefes de família. Mas, apesar de São Paulo concentrar o maior contingente de desocupados, a região metropolitana de Salvador é a que vem registrando o maior índice de aumento do desemprego (10,2% em julho e 10% em junho). Em São Paulo, o último índice de crescimento foi de 8,2%.
"Numa pesquisa conjuntural, é difícil fazer uma análise mais precisa, mas temos constatados migração da mão-de-obra, o que se tornou uma característica dos anos 90", diz Shyrlene. "A rotatividade é maior entre os trabalhodres sem carteira assinada". Foi justamente este segmento que registrou, entre junho e julho, a maior queda de postos de trabalho: 75 mil. No emprego com carteira também houve redução de 39 mil postos e os autônomos também perderam 6 mil colocações. Até mesmo o segmento empregador (o IBGE considera empregador todo aquele que tenha, pelo menos, três empregados, mesmo que membros da família) acusou queda, de 17 mil postos.
No total, em relação a junho, o número de pessoas economicamente ativas caiu 1,2%, enquanto houve crescimento de 1 9% da população não ativa. Neste grupo estão incluídos todos os que se retiram da atividade, seja por aposentadoria, por desistência de participar do mercado (o que ocorre muito com donas-de-casa, por exemplo), ou simplesmente por ter deixado de procurar emprego.
Rendimento - O rendimento real dos trabalhos vem caindo desde dezembro do ano passado, como mostra o acompanhamento do IBGE. Este ano, a perda acumulada chega a 4,1%, sendo que as maiores quedas são verificadas nas atividades do comércio e da construção civil. Para Shyrlene, a queda no rendimento do comércio pode ser explicada pelo enfraquecimento da demanda e, consequentemente, das comissões recebidas pelos vendedores. No caso da construção, o desaquecimento do setor imobiliário.

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