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terça-feira, 24 de agosto de 1999
Por Mônica Ciarelli 
Rio, 25 (AE) - De olho na rentabilidade das aplicações em dólar, os investidores estão migrando para os fundos cambiais para se proteger de uma nova desvalorização brusca da moeda nacional. Dados da Associação Nacional dos Bancos de Investimento (Anbid) revelam que o patrimônio desses fundos cresceu 32% nos primeiros 20 dias de agosto frente ao mesmo período de julho. No ano, o investimento já acumula uma alta de 77,12%. Um resultado bem mais expressivo do que o rendimento de 17,59% dos fundos de renda fixa.
Apesar do bom resultado, analistas alertam para o risco de se optar por fundos cambiais, principalmente, durante os períodos de grande turbulência, como o vivido nos últimos dias. "Desde que o Banco Central adotou a política de câmbio livre, o dólar virou uma aplicação de renda variável, como as bolsas de valores", explicou o executivo do Opportunity Maurício Nogueira Gentil.
Os dados da Anbid mostram que a participação dos ativos cambiais na indústria de fundos ainda é pequena. Atualmente, eles representam apenas 0,9% do total de R$ 184 bilhões aplicados no setor. O executivo considera um erro olhar apenas para os ganhos dos fundos nos últimos meses, alegando que o risco de novas oscilações bruscas na taxa de câmbio não está descartado. "O mercado é livre agora e pode haver variações fortes na taxa", alertou.
Segundo ele, os administradores de fundos precisam explicar claramente aos investidores que essas aplicações são sujeitas a grandes volatilidades. "É arriscado aplicar recursos destinados a compromissos de curto prazo nesses fundos", advertiu o executivo.
Gentil ressaltou que essa é uma alternativa recomendada para quem tem dívidas atreladas ao dólar. O executivo explicou que a pesada tributação acaba consumindo uma parte significativa dos ganhos. "A cunha fiscal é muito grande para quem pretende especular apenas por alguns dias", ponderou.
Se o dinheiro ficar aplicado apenas um dia em fundos, o pagamento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) consome 96% do rendimento. Fora isso, o investidor ainda terá de pagar 20% de Imposto de Renda e uma alíquota de 0,38% de Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF).


