São Paulo, 25 (AE) - A pressão sobre o dólar neste momento não é motivo para a alta das taxas de juros, mas deve ser vista pelos congressistas como um aviso de que as reformas, como a da Previdência e a tributária, precisam ser feitas com urgência. O alerta foi dado por Lawrence Kreicher, vice-presidente da Global Bond Research Alliance Capital Management, empresa norteamericana que administra fundos de investimento.
"Os investidores estrangeiros querem ver a votação das reformas caminharem no Congresso para só depois voltar com seus recursos ao País." No Brasil, a instituição é parceira do banco BCN na BCN Alliance Capital Management, administradora de fundos de investimentos domésticos.
Os fundos administrados pela empresa nos Estados Unidos detêm, segundo Kreicher, a maior posição no mundo em títulos da dívida de países emergentes, como o Brasil. Dos US$ 300 bilhões administrados pela Alliance, US$ 6 bilhões estão investidos em títulos de países ou papéis de empresas de países emergentes.
Desse total, US$ 800 milhões referem-se ao Brasil, dos quais US$ 600 milhões em títulos da dívida externa renegociada, preferencialmente os C-Bonds, e US$ 200 milhões em ações de empresas brasileiras. "Temos uma posição acima do normal na dívida brasileira, mas não vamos aumentá-la antes de o Congresso aprovar as reformas", diz Kreicher, para quem o problema brasileiro neste momento é mais político do que econômico.
O pior cenário para ele seria o Congresso não agir no sentido de aprovar as reformas necessárias, caso em que o real poderia desvalorizar-se fortemente e o dólar voltar às cotações de até R$ 2,20 atingidas em março. "Mas não achamos que isso seja provável."
Ele acredita que, com a aprovação das reformas, o Brasil vai se tornar um dos países mais interessantes para o investidor estrangeiro, atraindo bilhões de dólares. "Há muito dinheiro esperando por um sinal certo vindo do Brasil, e assim que esse sinal for dado esse dinheiro virá."
A China, segundo ele, também é atraente, mas as restrições nesse país ao capital estrangeiro são maiores. Para a Argentina, ao contrário, ele traça um cenário de vários anos de dificuldades. "A paridade do peso com o dólar neste momento, especialmente depois da desvalorização do real, está trazendo dificuldades para o país, com a perda de competitividade das empresas."
A Alliance já reduziu seus investimentos em papéis argentinos, segundo Kreicher, que veio ao Brasil para um encontro com investidores institucionais e empresários. Ele reconhece que os mercados emergentes, que necessitam de capital externo, estão passando por um momento difícil, por conta da falta de oferta de dinheiro, mas acredita que a situação melhorará em quatro meses, após a virada do ano 2000. "A preocupação com o bug do milênio tem também colaborado para a diminuição desses capitais."

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