Buenos Aires, 25 (AE) - Os países membros do Mercosul (Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai) devem assinar, em no máximo cinco anos, um acordo comum de metas fiscais, inflacionárias, de défict comercial e de endividamento em relação ao PIB que teria de ser cumprido, também, antes dos cinco anos seguintes a partir da entrada em vigor do acordo. Ou seja, em no máximo dez anos o Mercosul acabaria adotando uma espécie do Tratado de Maastricht, que deu origem à integração macroeconômica dos países da União Européia.
Essa foi a principal e mais importante decisão tomada pelos grupos técnicos dos quatro países, que se reuniram segunda e terça-feiras em Montevidéu. Nos próximos 30 dias, essa decisão
junto com uma proposta global de coordenação política e macroeconômica, será encaminhada ao Conselho do Mercado Comum (CMC), órgão máximo do Mercosul, do qual fazem parte os ministros de Economia e de Relações Exteriores dos quatro países.
A decisão dos grupos técnicos, que foram criados no final do mês passado, quando o CMC se reuniu de forma extraordinária por causa da crise desatada pela Argentina, que impôs medidas protecionistas contra produtos brasileiros, será encaminhada aos ministros e terá como base as metas fiscais que os países membros, principalmente o Brasil e a Argentina, venham assinar anualmente com o Fundo Monetário Internacional (FMI).
Isso significa que o FMI passaria a ser um espécie de "auditor" do processo de integração econômica do Mercosul, hoje restrito apenas ao aspecto comercial. De acordo com fontes do governo argentino, se o acerto dos grupos técnicos for mesmo levado a sério e adiante, será um dos passos mais importantes dados pelo Mercosul desde o Tratado de Ouro Preto (MG), que definiu a união aduaneira dos quatro países membros, embora hoje ela seja ainda imperfeita.
O governo argentino espera que, na próxima reunião de cúpula dos presidentes, prevista para a segunda semana de dezembro em Montevidéu, o pré-acordo de políticas macroecoômicas na região possa tomar corpo.

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