São Paulo, 25 (AE) - O presidente da Associação Brasileira da Indústria do Plástico (Abiplast), Merheg Cachum, sinalizou com a possibilidade de o setor aplicar reajustes de aproximadamente 15%, ante a política de preços do governo em relação à nafta petroquímica a partir de janeiro.
Segundo ele, a nafta, matéria-prima básica da resina plástica, correspondendo a mais de 50% da composição do produto, teve reajuste acumulado de 92% neste ano, em função do aumento do preço do petróleo no País, que está alinhado aos preços do mercado internacional. "Se o petróleo continuar a subir, teremos problemas grandes não só no Brasil", disse Cachum. A nafta é produzida é importada pela Petrobrás.
O presidente da Abiplast informou que encaminhou ofício, em julho, ao secretário nacional de Acompanhamento Econômico, Cláudio Considera, pedindo que a nafta petroquímica não sofresse novo reajuste em agosto. Segundo Cachum, o governo negou o pedido, aplicando um aumento de 15,2% no preço do produto, com a justificativa de que o não cumprimento dessa medida implicaria em perdas de R$ 80 milhões, só em agosto.
No entanto, Cachum afirmou que o governo se comprometeu a não realizar mais reajustes neste ano, a menos que aconteça algo de muito grave, como uma explosão dos preços do petróleo. "Nossa preocupação é com o que vai acontecer em janeiro", disse.
Por outro lado, o presidente da Abiplast disse que não há espaço para repasse de preços no setor, tendo em vista a concorrência dos produtos importados junto aos clientes. "Mas vamos ter de criar esse espaço, porque nosso poder de fogo é pequeno", afirmou Cachum. De acordo com ele, já houve alguns reajustes em alguns segmentos, mas não correspondem nem a 50% do que seria necessário.
Cachum demonstrou preocupação com o fato de o Brasil se tornar um país importador, em detrimento do fortalecimento da indústria nacional. Segundo ele, a situação do setor de tranformação do material plástico é "frágil" e existe o risco de indústrias serem fechadas.
Cachum afirmou que o número de empregos do setor diminui de 193 mil, no final do ano passado, para 164 mil atualmente.

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