São Paulo, 25 (AE) - O dólar voltou a subir com força hoje, dando continuidade ao movimento iniciado ontem (24). Há pouco, a cotação estava em R$ 1,9460, 1,25% acima do fechamento anterior, depois de atingir máxima de R$ 1,950.
Diante da elevada oferta de títulos cambiais, esta retomada da pressão desafia o Banco Central (BC), mas, ao mesmo tempo, serve de teste ao próprio fôlego da escalada do dólar. Duas teses confrontam-se para explicar a alta.
Uma, que parece ser a preferida do governo, é a de que a valorização do real seria especulativa. Haveria mais operações visando a potencializar lucros ou reduzur prejuízos do que demanda legítima por proteção cambial.
Seria o caso de empresas ou bancos que teriam comprado dólar perto de R$ 2,00 na semana passada e foram pegos no contra-pé pela queda da tarde de sexta-feira (20). Agora, estariam forçando uma nova alta para obter um preço vantajoso com o objetivo de vender os dólares comprados na semana passada e reduzir os prejuízos.
As incertezas do cenário conjuntural, como a Marcha dos Cem, da oposição, seriam apenas um pano de fundo para estas manobras. Mesmo porque o cenário conjuntural também estaria trazendo boas notícias, como a queda do desemprego de acordo com pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) noticiada agora de manhã, a vitória do governo ontem na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara sobre os ruralistas e a decisão favorável do Fed ontem.
Prevalecendo esta explicação, a alta do dólar teria fôlego curto e, ainda que exigindo alguma nova intervenção do BC
seria revertida nos próximos dias.

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