PUBLICAÇÃO
terça-feira, 24 de agosto de 1999
Por Nelson Breve 
Brasília, 25 (AE) - O movimento dos produtores rurais permanecerá em Brasília para pressionar os deputados a votar ainda hoje o recurso dos líderes ruralistas à decisão tomada ontem (24) pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara, que declarou inconstitucional o projeto de renegociação das dívidas dos agricultores.
Caso o recurso não seja votado hoje pelo plenário da Câmara, haverá uma nova reunião dos líderes do movimento para decidir se os produtores rurais permanecem ou não em Brasília.
A tendência é ser levantado acampamento para que o "caminhonaço" não se misture com a Marcha dos Cem Mil, da frente das oposições, que chega a Brasília amanhã (26).
Alguns líderes do movimento defendem uma desmobilização por cerca de 30 dias para que os produtores rurais possam ganhar fôlego. Caso as medidas tomadas pelo governo nesse período não sejam satisfatórias, eles pretendem retomar o movimento a partir das cidades.
Alguns líderes do movimento defendem a suspensão do escoamento dos produtos agrícolas. O relator do projeto de renegociação das dívidas da Comissão de Agricultura, deputado Ronaldo Caiado (PFL-GO), que esteve ontem à noite no acampamento dos produtores rurais, na Esplanada dos Ministérios, não acredita que os líderes governistas permitam a votação do recurso contra a decisão da CCJ na sessão de hoje.
Na avaliação dele, o governo não correrá o risco de um novo desgaste, após a tumultuada vitória na CCJ, quando cinco deputados da base governista foram substituídos, no momento da votação, porque pretendiam votar contra o governo.
Para impedir que o recurso seja votado no plenário, os líderes governistas devem apresentar um novo requerimento adiando a discussão do projeto que trata da Defensoria Pública da União.
Esse projeto tem preferência na votação do plenário, pois está com um pedido de urgência constitucional, feito pelo presidente Fernando Henrique Cardoso, e o prazo de votação esgotou-se na semana passada. Portanto, a pauta do plenário fica trancada até que haja uma deliberação sobre esse projeto.


