Brasília, 29 (AE) - O Banco do Brasil não terá prejuízo com os títulos emitidos pela prefeitura de São Paulo para pagamento de precatórios que estão em sua carteira, garantiu hoje o novo presidente da instituição, Paolo Zaghen. Segundo Zaghen, o BB e o Tesouro Nacional têm alternativas para evitar que o contribuinte seja chamado para pagar a conta. Ele explicou que os títulos da prefeitura de São Paulo podem ser usados, na data do vencimento, para pagamento de impostos municipais.
O BB, de acordo com Zaghen, poderia negociar os títulos vencidos no mercado que seriam então usados, pelos contribuintes paulistas, para pagamento de impostos junto à prefeitura. Zaghen disse, no entanto, que não acredita que essa alternativa seja utilizada. "Tenho forte convicção de que o prefeito Celso Pitta assinará o acordo", disse Zaghen. O novo presidente do BB contou que hoje mesmo recebeu sinalização nesse sentido do Tesouro Nacional.
Zaghen afirmou que a assinatura do acordo de refinanciamento da dívida do município de São Paulo não é de interesse apenas da União. "A prefeitura já está inadimplente e sofrendo as consequências disso", disse. Como consequência ele lembrou a impossibilidade de a prefeitura de São Paulo pegar qualquer crédito junto a entidades oficiais do governo.
Com a possibilidade de utilização dos títulos vencidos, Zaghen afirmou que a situação da prefeitura de São Paulo ficará ainda mais difícil porque ela sofrerá com redução de receitas.
No seu discursso de posse o novo presidente do BB garantiu que não há a menor possibilidade de privatização da instituição no momento. Na sua avaliação o BB exerce funções públicas importantes para o desenvolvimento do País, que o setor privado não está preparado para assumir. Como exemplo Zaghen citou que o BB é responsável por 75% de todo o crédito rural concedido e 20% do crédito às exportações. "É possível que o banco do Brasil venha a ser privatizado um dia", disse. A decisão sobre isso, segundo Zaghen, caberá à sociedade. Ele lembrou que para a privatização do BB será necessária uma lei.
A posse de Paolo Zaghen na presidência do Banco do Brasil foi bastante concorrida. Na solenidade, realizada no centro de Formação do BB, em Brasília, estavam presentes seis ministros de Estado, dois governadores, vários secretários, além de praticamente toda a diretoria do Banco Central e do Banco do Brasil. Até o ex-presidente do BC Gustavo Franco apareceu para cumprimentar o ex-colega de diretoria. O ministro da Fazenda, Pedro Malan, elogiou Zaghen, que deixou o Banco Central para assumir o Banco do Brasil, e Andrea Calabi, que deixou o BB para assumir a presidência do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

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