Brasília, 29 (AE) - Investidores estrangeiros poderão aplicar diretamente no mercado futuro do setor agropecuário do País. A autorização foi aprovada hoje pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). O diretor de Assuntos Internacionais do Banco Central, Daniel Gleizer, disse que, com um maior volume de contratos negociados na Bolsa Mercantil e de Futuros (BM&F), mais produtores rurais terão proteção contra oscilação de preços de seus produtos.
Dessa forma, acredita ele, também diminui a avaliação de risco que os bancos fazem desses produtores. "Se a cadeia é verdadeira, e eu acredito que seja, então cria-se a possibilidade de um financiamento à safra muito mais eficiente"
disse ele.
Gleizer acredita que o mercado futuro de produtos agropecuários no Brasil poderá atrair investimentos de aplicadores da Bolsa de Chicago em momentos específicos - como, por exemplo, a entressafra agrícola no Hemisfério Norte.
Ele admitiu que o mercado de futuros para o setor, hoje no Brasil, movimenta volumes muito baixos e que os pequenos e médios produtores poderão ter dificuldade de acesso a esses créditos. "Mas não devemos menosprezar a capacidade do sistema financeiro", disse ele. "A BM&F tem interesse em ir aos grandes centros produtores oferecendo esse novo serviço."
Ele explicou que o único ponto ainda a ser decidido sobre essa mudança anunciada hoje é como seriam registradas no Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex) as exportações
caso o adquirente do contrato futuro queira receber os produtos agrícolas.
Segundo o diretor, a abertura da BM&F a investimentos estrangeiros foi um compromisso anunciado pelo presidente Fernando Henrique Cardoso, quando anunciou o plano de financiamento de safra 99-2000.

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