São Paulo, 29 (AE) - A Associação Brasileira das Concessionárias de Rodovias (ABCR) está disposta a analisar a sugestão de redução tarifária nos pedágios das rodovias paulistas, mas alerta que uma decisão requer um estudo prévio para não comprometer o equilíbrio finaceiro das empresas. "Não estamos nos negando a conversar com o governo paulista, mas qualquer alteração no pedágio tem que ser precedida de avaliações técnicos pesadas", disse o presidente da entidade, Moacyr Duarte.
Ele admite que o contrato entre o governo paulista, que é o poder concedente da exploração das rodovias, e as concessionárias não é sagrado, mas uma possível alteração pode trazer insegurança junto aos financiadores. "Em tese, mexer no pedágio significa mexer no contrato, que implica em alterar outros pontos, como financiamentos já acertados com o BNDES e com bancos estrangeiros." Segundo Duarte, possíveis mudanças nos acordos de financiamentos já acertados podem gerar insegurança junto às instituições financeiras, comprometendo planos de investimento das concessionárias.
Outra consequência seria um provável atraso na execução do cronograma de obras. "O problema todo é de receita, a empresa não pode perder a receita já computada." Duarte lembra que o desconto de 20% nas tarifas de pedágio concedido para o transporte de carga, na prática, significa um subsídio bancado pelo governo paulista. O desconto é pago com recursos do ônus da concessão - que em 98 foi de R$ 200 milhões -, não é retirado do montante previsto no orçamento anual.
Desde o início de 99 a ABCR não participa dos encontros entre representantes da Secretaria dos Transportes e das empresas transportadoras, ocasião em já estava em vigor a redução de 20% nas tarifas de pedágio para o transporte de carga. De acordo com Duarte, a ABCR não tem sugestões sobre a questão e aguarda um acordo entre as duas partes para avaliar a posição da entidade sobre o assunto.

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