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quarta-feira, 28 de julho de 1999
Por Ayrton Centeno 
Porto Alegre, 29 (AE) - "Se o governo federal não cumprir o que prometeu, pode contar: vamos voltar para as estradas e parar o Brasil de novo", avisou hoje, logo após o anúncio do acordo para o fim do movimento dos caminhoneiros, o presidente da Federação dos Taxistas e Transportadores Autônomos de Cargas/RS (Fecavergs), Mariano Costa. "De agora em diante, a história dos caminhoneiros no País tem dois momentos: antes e depois da nossa greve", enfatizou. "Sabemos a nossa força", advertiu.
Costa ressaltou que reconhece o trabalho do sindicalista Nélio Botelho, do Movimento União Brasil Caminhoneiro. "Mas nenhuma liderança é mais vitoriosa do que os caminhoneiros reunidos em cada bloqueio". Para ele, a hora é de outra discussão. "Houve prejuízo, as estradas ficaram bloqueadas, alimentos estragaram, mas temos que debater as causas e não os efeitos do movimento", propôs.
Ao saberem do acordo alinhavado em Brasília, os caminhoneiros reunidos no ponto de maior concentração no Estado, a cidade de Três Cachoeiras, no Litoral Norte, reagiram com um buzinaço.
Proposto pelas lideranças da categoria, o fim da paralisação foi aprovado mesmo antes dos trabalhadores conhecerem todos os pontos da proposta. No começo da noite, a maior parte dos veículos já havia deixado Três Cachoeiras.
"Foi muito bom", disse Costa, referindo-se ao acerto. "O principal - avaliou - foi a suspensão por 60 dias da pesagem por eixo". Costa também gostou da rediscussão das tarifas de pedágios federais e do envio ao Congresso, com urgência, de proposta impedindo a retirada de pontos da carteira dos profissionais do volante por infrações leves e médias. "O acordo ainda provocará uma reavaliação do preço ainda mais alto cobrado nos pedágios das rodovias privatizadas no Rio Grande do Sul, onde um caminhão paga R$ 3,00 por eixo".
Presidindo uma federação com 26 sindicatos filiados, incluindo desde taxistas a caminhoneiros, Costa deseja que, agora, a Justiça "saia de cima do processo" que questiona a maneira como foram privatizadas as rodovias estaduais. "O certo é que o caminhoneiro não pode continuar pagando a tarifa", acentuou.
No último dia da greve, 12 rodovias federais do Rio Grande do Sul tiveram um ou mais bloqueios ao longo de sua extensão para o trânsito de caminhões. Os grevistas montaram piquetes em 24 pontos das BRs, de acordo com o plantão central da Polícia Rodoviária Federal no Estado. Além das rodovias que haviam sido interrompidas no dia anterior - as BRs 287, 470, 101
386, 116, 481, 285, 468, 392 e 158 - também as BR-293, no município de Dom Pedrito, e a BR-290, em Uruguaiana, foram trancadas. As estradas estaduais na mesma situação eram 15. Gradativamente, todas estavam sendo liberadas no início da noite.
A maior concentração de caminhões parados em BRs ocorreu em Três Cachoeiras, no Litoral Norte do Estado, perto da fronteira com Santa Catarina. Aproximadamente quatro mil caminhões e carretas estavam distribuídos entre os postos de serviço da região, na BR-101. Antes do final da greve, as barreiras apenas deixavam circular ônibus e veículos de passeio.
Quinze estradas estaduais chegaram a ser interrompidas, em 23 pontos, conforme levantamento da Polícia Rodoviária Estadual (PRE). A mobilização foi mais forte em Cruz Alta, na junção da RS-342 com a BR-285, que juntou 1,3 mil caminhões.


