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quarta-feira, 28 de julho de 1999
Por Soraya de Alencar 
Brasília, 29 (AE) - Depois de três horas de reunião com o ministro do Desenvolvimento, Clóvis Carvalho, na manhã de hoje
para tentar incluir cláusulas sociais na medida provisória que autoriza incentivos para a Ford instalar-se na Bahia, os sindicalistas não saíram satisfeitos. Em vez das cláusulas sociais, eles conseguiram apenas que o governo incluísse na medida provisória a exigência de que um novo empreendimento industrial não implique a transferência de outro já instalado.
Assim, a Ford não poderá fechar fábricas em São Paulo para abrir a da Bahia. Em outro parágrafo que também consta da MP, o governo deixa claro que os requisitos para a apresentação e aprovação de projetos serão fixados por ministros. "O governo faz poucas exigências", reclamou o presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT) no estado de São Paulo, José Lopez Feijóo. "Quem dá dinheiro público tem que exigir mais", afirmou.
Na avaliação do vice-presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Carlos Alberto Granna, a exigência do governo abriu apenas uma fresta no objetivo dos sindicalistas. O presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva, admitiu que houve uma mudança de postura do governo. Mas, segundo ele, "não resolve o problema".
Feijóo declarou que, na luta pela preservação dos empregos em São Paulo, os sindicalistas querem contratos com a Ford nos quais sejam especificados os projetos da empresa para as fábricas do Estado, os produtos, ou os tipos de carrros a serem fabricados e, ainda, o volume de empregos que serão mantidos.
Durante a reunião, segundo revelou Medeiros, Carvalho ausentou-se da sala diversas vezes para falar com o ministro-chefe da Casa Civil, Pedro Parente, e com o presidente da Ford, Antônio Maciel. Ao final do encontro, o ministro divulgou uma nota em nome do governo revelando as exigências incluídas na MP e também deixando claro que, no caso da Ford, confia que a empresa vai manter seus compromissos de conservar a produção de suas unidades fabris dentro de São Paulo e, ainda, que, junto com os sindicatos, a empresa vai trabalhar para encontrar solução para manutenção do emprego para garantir a manutenção da competitividade.
Carvalho leu a nota ao lado dos sindicalistas e dos deputados José Genoíno (PT-SP) e Luiz Antônio Medeiros (PFL-SP). Segundo frisou o ministro, a nota é do governo mas os sindicalistas ajudaram a redigí-la. "Concordamos com a nota", disse Feijóo. "Mas a exigência não garante os empregos". Ele destacou que "não fechar fábricas não quer dizer nada". Segundo o presidente estadual da CUT, "pode-se manter uma empresa aberta e ter apenas um vigia na porta". Sindicalistas e parlamentares prometeram que trabalharão para que a MP seja modificada no Congresso Nacional. "Lá vamos incluir as cláusulas sociais", prometeu Genoíno. Segundo Medeiros, "este é um compromisso da esquerda do PFL".


