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quarta-feira, 28 de julho de 1999
Por Evandro Fadel 
Curitiba, 29 (AE) - Os caminhões voltaram a circular por volta das 18 horas, no Paraná, após o anúncio do acordo entre o governo federal e os líderes do protesto dos caminhoneiros. A liberação começou pela BR-116, na área urbana de Curitiba, de onde eles saíram acionando as buzinas.
Um dos coordenadores do movimento no Paraná, Nenê Meni, mesmo sem ter conhecimento de todo o teor do acordo, disse que a informação sobre o fim do protesto já estava sendo passada para todas as localidades do Estado. "Foi um movimento vitorioso", comemorou.
Nos quatro dias de paralisação, os prejuízos foram grandes, sobretudo para os produtores e comerciantes de frutas e verduras. As cinco Centrais de Abastecimento (Ceasa) do Paraná estavam trabalhando precariamente. Alguns produtores de leite da região de Castro, no centro do Estado, tiveram que despejar centenas de litros de leite no asfalto, pois o produto deteriorou-se. Próximo a Curitiba, 200 caixas de tangerina foram dadas à população. As frutas também estavam se estragando. Alguns caminhoneiros do noroeste doaram os produtos perecíveis a instituições de caridade.
A situação de abastecimento de combustível era preocupante no interior do Estado. O presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Combustíveis Minerais do Paraná, Roberto Fregonese, calculava em 65% o desabastecimento. O problema poderia chegar hoje a Curitiba, pois os caminhões com álcool anidro estavam retidos no norte do Estado.
A greve dos caminhoneiros autônomos obrigou a fábrica da Audi/Volkswagen em São José dos Pinhais, na região metropolitana de Curitiba, a paralisar a produção na manhã de hoje, deixando de produzir 60 carros. À tarde, o trabalho foi retomado, com previsão de fabricar 40 automóveis. De acordo com a assessoria de imprensa da empresa, os motores não estavam chegando da fábrica de São Carlos (SP).
A direção da fábrica de caminhões Volvo, na Cidade Industrial de Curitiba (CIC), optou por dispensar 600 funcionários do setor produtivo amanhã e segunda-feira. A Volvo deixará de fabricar 25 caminhões em cada um dos dias. Por falta de componentes, a produção de caminhões foi feita de maneira mais lenta hoje. O coordenador da Comissão de Fábrica da Volvo, Nelson de Souza, considerou justas as reivindicações dos caminhoneiros, pois com menos lucros eles deixam de comprar mais caminhões, colocando em risco os empregos.


