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quarta-feira, 28 de julho de 1999
Por Eduardo Magossi 
São Paulo, 29 (AE) - A internacionalização das operações agrícolas da BM&F foi considerada positiva por operadores destes mercados. Bertrand Wanclik, operador da corretora Hencorp Commcor, acredita que a medida vai trazer liquidez para os mercados futuros agrícolas da BM&F, "galinha dos ovos de ouro" que vai atrair os produtores brasileiros para o pregão. Segundo Wanclik, o mercado estava esperando por esta medida há pelo menos dois anos. "A internacionalização da BM&F vai mudar o perfil dos investidores ao trazer para o Brasil grandes importadores e grandes tradings estrangeiras", disse. Segundo ele, a maior liquidez da BM&F com a internacionalização facilitará a entrada nestes mercados do produtor brasileiro.
Para Cristiano Ribeiro do Valle, operador da Link Corretora, a internacionalização da BM&F irá beneficiar principalmente os contratos de produtos de exportação como o café, soja e açúcar, que dependem da formação de preços externos. Ele disse também que a abertura do mercado futuro brasileiro para importadores estrangeiros possibilitará a realização de operações de arbitragem entre as diversas bolsas de futuros agrícolas internacionais.
Segundo José Vicente Ferraz da FNP Consultoria, se a internacionalização da BM&F realmente contribuir para o aumento da liquidez, o grande beneficiado será o produtor brasileiro que
hoje, não tem um instrumento de hedge com liquidez o suficiente para garantir de fato os seus negócios. Sérgio Galiano, da Lucra Corretora, acredita que a internacionalização é uma última cartada da BM&F para ampliar sua liquidez. "Este mercado tem um potencial enorme mas o produtor brasileiro tem receio da bolsa"
disse. Segundo ele, de uma produção de soja brasileira de quase 31 milhões de toneladas, apenas 8,8 mil toneladas estão hedgeadas na BM&F hoje. No milho, de uma produção de 32 milhões de t, estão "em aberto" na bolsa apenas 4,2 mil t.
Segundo Cristiano do Valle, da Link, enquanto a bolsa de futuros CME, de Chicago, gira 9 vezes ao ano o rebanho norte-americano, a BM&F não negocia nem 10% do rebanho brasileiro.
Fundepec - Pedro de Camargo Neto, presidente da Fundação de Desenvolvimento da Pecuária de Corte (Fundepec), disse que a internacionalização da BM&F possibilitará a entrada do médio produtor nos mercados futuros. Segundo ele, até hoje, era permitido aos estrangeiros apenas operar no mercado físico.
"Isto fazia com que os vendedores brasileiros precisassem fazer hedge em Chicago ou Nova York para se proteger das oscilações de preços", disse. Porém, apenas os grandes produtores e cooperativas tinham capacidade financeira para operar em Chicago ou Nova York. Segundo Camargo Neto, a idéia é que, com os estrangeiros fazendo hedge na BM&F, exista liquidez necessária que permita a entrada dos médios produtores brasileiros neste mercado e assim se proteger dos riscos da produção agrícola.
Camargo Neto disse também que, com a internacionalização
os preços futuros da BM&F e das demais bolsas de commodities agrícolas irão ficar mais equilibrados, possibilitando a realização de operações de arbitragens.


