Rio, 29 (AE) - A Eletrobrás voltou atrás e resolveu assumir os R$ 1,2 bilhão de déficit atuarial do fundo de pensão dos funcionários de Furnas Centrais Elétricas e da Eletronuclear (Fundo Real Grandeza). O presidente de Furnas, Luiz Carlos Santos, informou hoje que a Eletrobrás autorizou a empresa a iniciar o processo de negociação junto ao Real Grandeza no sentido de elaborar as cláusulas da chamada Confissão de Dívida, com base nesse valor. O não reconhecimento do valor da dívida era uma das principais críticas dos funcionários em relação ao modelo de privatização da empresa.
Segundo Santos, a agência contratada para refazer os cálculos, a Taurus, chegou ao mesmo valor calculado pela W. M. Mercer, que havia sido contratada a pedido da antiga direção de Furnas. Na época, o número foi contestado pelo Conselho Nacional de Desestatização (CND), que resolveu não assumir a dívida, apenas provisioná-la, até que uma nova consultoria refizesse os cálculos. O CND também havia decidido que fossem examinadas políticas que viessem a propiciar a redução do déficit provisionado.
A medida tomada pelo CND fez com que o presidente de Furnas, na época, Luiz Laércio Simões, pedisse demissão e também desencadeou uma série de processos contra a privatização da empresa. O presidente da Eletrobrás, Firmino Sampaio, havia informado que o déficit atuarial do Fundo Real Grandeza, de Furnas, havia caído de R$ 1,204 bilhão para R$ 874 milhões, com a mudança no cálculo dos benefícios.
O presidente de Furnas, Luiz Carlos Santos, não explicou o porquê da mudança no valor. Também não informou quando o valor será registrado no balanço, nem se será mantida a estrutura para o repasse da dívida após a cisão de Furnas. "Só vou comunicar que a Eletrobrás autorizou Furnas a iniciar a negociação com o Fundo Real Grandeza para a elaboração dos termos de Confissão de Dívida, com base no valor de R$ 1,204 bilhão apontado pelas consultorias", ressaltou.
Pelo modelo apontado pelo Conselho Nacional de Desestatização, em 14 de abril, com base no déficit provisionado de R$ 1,204 bilhão, Furnas Geração I ficaria com R$ 88 milhões do total da dívida, Furnas Geração II com R$ 46,6 milhões e Furnas Transmissão, que continuará nas mãos do Governo, com a maior fatia, de R$ 1,070 bilhão. O presidente de Furnas informou que a idéia é assumir a dívida e zerar o déficit para que se inicie um novo plano de previdência. Os detalhes da negociação só serão divulgados na terça-feira, quando Santos se reúne com o presidente do Fundo Real Grandeza.

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