Rio, 29 (AE) - A saída de caminhões com combustíveis da Refinaria Duque de Caxias (Reduc) melhorou a situação dos postos do Rio de Janeiro, mas os preços de alguns produtos agrícolas sofreram aumentos nas negociações da Central de Abastecimento do Rio de Janeiro (Ceasa), no Irajá, na zona norte. "A única coisa a favor do governo é que o povo está sem dinheiro e compra pouco", afirmou o presidente da Bolsa de Gêneros Alimentícios, José de Souza, para explicar porque o efeito da greve sobre os preços não foi mais grave.
Os preços dos hortigranjeiros foram os que mais sofreram aumentos. O saco de limão, que custava R$ 9, aumentou 233% e passou a valer R$ 30 nas vendas da Ceasa. Na Bolsa de Gêneros Alimentícios, no Mercado São Sebastião, na Penha, também na zona norte, o volume de negócios, que costuma ser de R$ 30 milhões, foi reduzido pela metade, calculou Souza.
O presidente do Sindicato de Comércio Varejista de Derivados de Petróleo do Estado, Ricardo Lisboa, disse que, com a liberação parte do combustível armazenado na Reduc para as distribuidoras, na manhã, a melhora foi grande. A paralisação tirou cerca de 500 ônibus das ruas hoje, segundo o presidente da Fetranspor, entidade que reúne as empresas do setor, Urquiza da Nóbrega.
A Companhia Docas do Rio de Janeiro informou que, depois do início do movimento, houve redução de 20% na entrega de contêineres e de 30% a 40% na de automóveis da Fiat nos dois terminais que fazem a exportação destes produtos. No entanto, a queda não chegou a afetar a movimentação dos navios.
O gerente de Suprimentos da Shell, Evandro Gueiros, afirmou que por causa da paralisação os aeroportos de Vitória (ES), Maringá (PR) e Ribeirão Preto (SP) ficaram com os reservatórios de combustível, que são abastecidos pela distribuidora, abaixo do nível. Mas não houve problema com os aviões qeu deviam ser reabastecidos nestes locais porque o abastecimento foi transferido para outros aeroportos.
Violência - Na noite de quarta-feira, na altura do município de Três Rios (região do Médio Paraíba), o motorista Sebastião Martins sofreu traumatismo craniano depois de ser agredido por caminhoneiros grevistas que ficaram revoltados porque ele não aderiu à greve. Em Volta Redonda, outro município da região, quem não parava o caminhão foi alvo de pedradas.





