São Paulo, 29 (AE) - Exatamente como ocorreu nos últimos leilões de BBC (títulos prefixados) de 28 dias, as instituições financeiras pediram prêmios altos para comprar, em leilão, os BBC de 35 dias ofertados hoje pelo Banco Central, apesar da queda da Selic de 21% para 19,5%. Novamente as taxas de resultado - juro máximo de 21,46% e médio de 21,38% - saíram bem próximas uma da outra e acima do que apontava a curva de juros futuros no momento que antecedia o leilão (cerca de 20,50%), segundo vários operadores. O juro médio do leilão de hoje ficou 1,57% acima da Selic que vigora agora, de 19,5%; no leilão de BBC da última terça-feira, o juro médio tinha ficado 0,77% acima da Selic que vigorava antes, de 21%.
Segundo analistas do mercado, o fato de as instituições financeiras continuarem pedindo prêmios elevados pelos títulos tem mais relação com a continuidade da insegurança quanto aos cenários externos e internos do que com a decisão tomada ontem pelo Comitê de Política Monetária (Copom), de reduzir a Selic, mas de interromper o viés de baixa. "Nada mudou aqui ou lá fora e o Dow Jones hoje, para completar, está caindo mais de 200 pontos", comentou um profissional. De qualquer maneira, a julgar pela taxa a que a mesma BBC de 35 dias estava sendo negociada no mercado secundário (21,19%), 15 minutos após leilão
nota-se que as instituições financeiras deram uma "puxadinha" a mais no preço na hora da oferta pública.
No mercado, uma corrente julga que o viés neutro (ou o não viés, como quer o Banco Central) contribuiu para aumentar os juros futuros (a inclinação da curva), na medida em que o mercado entendeu que BC descarta a possibilidade de reduzir a Selic entre a reunião de ontem do Copom e a próxima, no dia 1º de setembro. Outros, porém, dizem que a curva ficaria inclinada de qualquer jeito, tanto por conta dos problemas externos e internos, quanto pelo fato de o Copom ter reduzido bastante a Selic desta vez - ou seja, diminui o espaço para quedas futuras. "O mercado interpretaria como uma piada se a Selic caísse para 19,5% e ainda assim o BC mantivesse o viés de baixa", comentou um analista dessa segunda corrente.
Quanto ao leilão de LFT (pós-fixados), novamente os deságios foram altos (o máximo, de 0,25%, saiu ligeiramente acima do da terça-feira, de 0,24%). E como o mercado já tem excesso desses papéis em carteira, absorveu apenas parte da oferta. Em todo caso, a queda de 1,5 ponto porcentual na Selic beneficiou o governo de uma tacada só, pois a maior parte da dívida pública (cerca de 60%) é composta por títulos pós-fixados.

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