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quarta-feira, 28 de julho de 1999
Por Rita Tavares 
São Paulo, 29 (AE) - O setor têxtil foi o mais beneficiado pela desvalorização do real em janeiro, de acordo com a diretora do Departamento de Pesquisas Econômicas da Instituição, Clarice Seibel. De janeiro a agosto deste ano, o setor teve um crescimento semelhante ao acumulado nos anos de 94 e 98. "É uma nova realidade que se estabeleceu, em virtude da substituição das importações" afirmou Clarice, ponderando que as perspectivas de crescimento estão voltadas apenas para o mercado interno.
No mês de junho o setor apresentou um crescimento de 7% nas vendas reais, em comparação com o mês do ano passado. Em relação a maio deste ano, houve uma alta de 2,5% nas vendas reais. De acordo com Clarice a perspectiva é de que as indústrias têxteis continuem a contratar trabalhadores, como já vem ocorrendo desde abril.
Em junho o setor têxtil apresentou um crescimento de 3 6% em nível de atividade. Para julho, a previsão da Fiesp é de que o setor continue em alta, com um crescimento de 3,5 que cairia para 3,4 no próximo mês de agosto.
A Fiesp informou que o setor de material elétrico e de comunicações foi o que apresentou o melhor desempenho no mês de junho, com um crescimento de 5,2% em sua atividade industrial. De janeiro a maio deste ano houve uma queda de 12,4% no nível de atividade, se comparado com igual período de 1998. A recuperação em junho e a perspectiva de crescimento nos próximos 2 meses fará com que o setor tenha uma queda de atividade de 6,9% no período de janeiro a agosto de 99 comparado com igual período do ano passado. Segundo Clarice a recuperação do setor de material elétrico e de comunicações se deu basicamente por 3 fatores: 1) elevação de 64% nas vendas reais da linha branca dos produtos eletrônicos no mês de junho, segundo dados divulgados pela Eletros; 2) Vendas reais tiveram um crescimento de 13% em junho na comparação com maio; 3) houve estabilidade na utilização de capacidade instalada das indústrias do setor.
"Se o setor continuar demonstrando esse crescimento, novas contratações novos investimentos deverão ocorrer" afirmou Clarice. A Fiesp projeta uma alta de 0,30% no nível de atividade desse setor para julho e de 1,30%, para agosto.
Piores desempenhos - O setor de produtos alimentares foi o que registrou o pior desempenho no nível de atividade no mês de junho, de acordo com a Fiesp. No mês passado, a previsão era de uma queda de 3,4%. Mas chegou a 4,4%. Para julho espera-se que a atividade industrial do setor apresente uma nova queda: 1 6%. A recuperação só viria em agosto, com um pequeno crescimento de 0,30%.
Até maio deste ano o setor de produtos alimentares apresentava uma alta em sua atividade industrial de 3%, em relação ao mesmo período de 1998. Com a deterioração da renda disponível dos consumidores, o cenário começou a ser revertido em junho. De acordo com a Fiesp, se as previsões se concretizarem, o setor terá uma redução de 11% em sua atividade do período de janeiro a agosto de 99 contra igual período no ano passado. "Depois do aumento nas tarifas públicas e dos combustíveis, a renda do consumidor caiu muito" afirmou Clarice.
O setor de mecânica foi o segundo em pior desempenho no mês de junho, com uma queda de 0,7% em suas atividades. Segundo a Fiesp o mau desempenho deverá se repetir em julho, quando se espera um recuo de 0,4% no nível de atividade do setor. Em agosto a recuperação viria com uma alta de 1,9%.
De acordo com Clarice esse desempenho reflete a perda de dinamismo que o setor vem enfrentando desde o final de maio. Nos primeiros meses do ano, em função da desvalorização do real, houve uma melhora que não se sustentou. As máquinas e equipamentos agrícolas que vinham com demanda crescente estão em baixa a medida que o preço das commodities agrícolas estão nos níveis mais baixos no mercado mundial a 20 anos e os custos dos insumos subiram. Ainda segundo Clarice, as incertezas macroeconômicas fazem com que os empresários adiem ao máximo os investimentos em novos equipamentos, o que penaliza o setor de mecânica.


