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quarta-feira, 28 de julho de 1999
Por Vladimir Goitia 
São Paulo, 29 (AE) - A disputa comercial entre o Brasil e Argentina, que se transformou na maior crise da história do Mercosul, pode afetar as perspectivas de novos investimentos na região. De acordo com o embaixador do Brasil em Washington, Rubensa Barbosa, se a crise chegar ao ponto do "insuperável" as empresas tenderão a reexaminar as suas metas de investimento no Mercosul.
"A repercussão dessa disputa comercial entre os dois países no Exterior, onde a marca Mercosul já está consolidada, está sendo muito grande", alertou o embaixador, em entrevista à Agência Estado, por telefone de Washington. Barbosa, que concedeu nesta quarta-feira uma entrevista à imprensa norte-americana e latino-americana credenciada em Washington sobre a crise desatada pelos argentinos, foi um dos principais artífices da criação do Mercosul.
O embaixador acredita, no entanto, que o Brasil e a Argentina saberão conduzir essa disputa - resultado da recessão econômica nos dois países - até uma solução amigável. Para ele, a reação do Brasil foi correta, já que o Mercosul não admite o uso de salvaguardas para proteger qualquer setor econômico dos países membros do bloco.
Indagado sobre as perspectivas de uma solução para essa crise sem "arranhar" a imagem do Mercosul, o embaixador disse que só existem duas saídas. Uma, a Argentina "isentar" os países do Mercosul das medidas de salvaguarda impostas para todas as suas importações e, a outra, por meio do Mecanismo de Solução de Controvérsias. "O uso deste mecanismo não significa, de forma alguma, um retrocesso; pelo contrário, será uma forma de discutir diferenças de forma institucional", disse o embaixador. Barbosa acrescentou ainda que o Brasil não mudará a sua postura em relação à resolução argentina que impôs as salvaguardas.


