Franca, 29 (AE) - O presidente da Fiesp, Horário Lafer Piva, que está participando do seminário Competitividade Industrial do Pólo Calçadista de São Paulo, em Franca, elogiou as últimas atitudes do presidente do Banco Central em reduzir os juros para 19,5%."Ele vem surpreendendo positivamente o setor industrial", disse ele.
Para Piva, a tendência é de que os juros sejam reduzidos para 18% em setembro e encerrem o ano em 16%. "É o que o mercado espera e tem condições de absorver", avaliou. Piva lembrou ainda que nada adianta, no entanto, se o governo não resolver o principal gargalo da economia que é a reforma fiscal.
Mercosul - Para o presidente da Fiesp, a crise brasileira com a Argentina tende a se agravar nas próximas semanas com a inclusão de novos produtos na lista de salvaguarda
como papel por exemplo. "A Argentina desencadeou um processo que vai se desenrolar ainda por muito mais tempo, mas no qual ela mesma é quem vai sair perdendo", disse. Piva considera que a Argentina está em dificuldades, passando por uma crise da mesma forma que o Brasil também passou, mas que nem por isso apelou para a salvaguarda. "Parece que para a Argentina o trabalho que vem sendo feito nos últimos oito anos no Mercosul não é tão importante. Resta questionar ao Brasil se vale a pena jogar fora este trabalho ou abrir mão da Argentina e dar continuidade ao Mercosul", comentou ele. Segundo ele, o País deveria abandonar a visão bilateral de negócios que vem desenvolvendo com a Argentina para procurar dedicar-se mais ao fortalecimento das relações comerciais com o Mercado Europeu. "É hora de usar toda a diplomacia do empresariado brasileiro para tentar dobrar a Argentina, mas que isso não dispenda tanta energia quanto o desenvolvimento de relações mais fortes com outros países", disse.
Greve - Sobre a greve dos caminhoneiros, Piva disse que a considera "irresponsável e inconsequente". "Não estão em jogo apenas dois setores negociando uma questão própria da categoria. A greve, que envolve todas as cadeias produtivas do País, praticamente paralisou indústrias e agricultura e ninguém sabe quais serão as consequências disto, tanto para a população como para a Economia como um todo", comentou. Ele disse ainda que o processo "just in time" adotado pela maioria das empresas, que prevê a indisponibilidade de estoque, está dificultando o trabalho do setor industrial diante da greve.
"Empresas do porte de uma IBM e também a Magnette Marelli vão parar sua linha de produção até amanhã, no máximo", disse. "Não dá para esperar outra solução do governo que não seja uma atitude autoritária e firme para colocar fim nessa bagunça que está completamente descontrolada". O presidente da Fiesp afirmou ainda que não questiona as razões do movimento. "Critico apenas a forma como a greve foi instaurada sem que o setor nem mesmo esgotasse todas as formas de negociação", comentou ele.

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