Porto Alegre, 29 (AE) - A Frangosul reduziu à metade seu volume de abates no Rio Grande do Sul em função dos bloqueios nas estradas. A maior unidade da empresa no Estado, em Passo Fundo, está totalmente paralisada e os abatedouros de Caxias do Sul e Montenegro estão operando entre 70% e 80% do nível normal. "Estamos deixando de abater 300 mil frangos por dia no Estado"
explicou o diretor Heitor Muller. A unidade de Caxias também diminuiu em 30% o abate de suínos, que caiu de 1,6 mil para 1,1 mil por dia. O abatedouro de Caarapó, perto de Dourados (MS), está operando a 70% de sua capacidade normal, que é de 70 mil aves por dia. Segundo Muller, vários caminhões que servem à empresa estão retidos nas estradas. Em dias normais, cerca de 1 mil veículos operam no transporte de animais, rações e produtos acabados. Hoje este número está reduzido à metade, explicou.
Somente no Rio Grande do Sul a redução dos abates corresponde a cerca de 500 toneladas por dia, incluindo aves e suínos. Além disso, a unidade de Passo Fundo destina 70% de sua produção à exportação e a paralisação já começa a provocar atrasos no cumprimento de contratos com clientes em outros países. Os prejuízos ainda não estão apurados, pois dependem da avaliação das perdas que podem ser registradas pelos 2,1 mil pequenos criadores integrados de frangos e 400 de suínos. De acordo com Muller, além de impedir que os animais cheguem aos abatedouros, a greve não permite que as cargas de ração sejam entregues nas granjas. Os criadores já estão sendo orientados para racionar a alimentação dos frangos.
Na opinião do empresário, a greve já fugiu do controle dos próprios organizadores e caso não haja uma solução ainda hoje para o problema o governo deve ser "enérgico" e usar a "força" para restabelecer o abastecimento e a liberdade de trânsito da população. Segundo ele, há reivindicações dos caminhoneiros que não podem ser atendidas da "noite para o dia" e o movimento já está se tornando "bastante irresponsável".

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