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quarta-feira, 28 de julho de 1999
Por Clayton Levy 
Campinas, 29 (AE) - Os caminhoneiros que participam do protesto da categoria contra o alto custo dos pedágios liberaram hoje (29), por volta das 14 horas, o tráfego para carros de passeio e ônibus na rodovia Milton Tavares (SP-332), principal acesso à Refinaria de Paulínia (Replan). A decisão foi tomada depois de uma conversa com o governador Mário Covas, que ameaçou usar novamente a força policial caso o protesto continuasse impedindo o trânsito na rodovia.
O governador chegou ao local de helicóptero, por volta das 9h30, acompanhado pelos secretários de Transportes, Michel Zeitlin, e de Segurança Pública, Marco Vinicio Petrelluzze. Covas discutiu com os manifestantes, insistindo para que liberassem o trânsito na rodovia. "Onde a população estiver sendo prejudicada, a polícia vai abrir com ordem minha; eu abro com a única coisa que eu tenho para abrir, que é a polícia", disse o governador aos cerca de 600 motoristas que mantinham seus caminhões estacionados nas pistas da rodovia desde terça-feira (27).
Apesar de ameaçar usar a Tropa de Choque, o governador descartou, pelo menos por enquanto, o emprego das Forças Armadas para desbloquear as rodovias. "Em São Paulo não será preciso a intervenção do Exército", disse. Em seguida, mais calmo, completou: "Esse pessoal (os caminhoneiros) é tudo gente boa; estão lutando pela sobrevivência como todo mundo luta pelo seu salário", disse.
Em seguida, Covas pediu para conversar com uma comissão de caminhoneiros. Cinco motoristas foram destacados para dialogar com o governador, que apelou para a continuidade das negociações. Ele ouviu muitas reclamações dos manifestantes, principalmente sobre o alto custo do pedágio. Questionado sobre a possibilidade de redução na tarifa, Covas se esquivou. "Teoricamente, há possibilidade de diminuir, subir ou desaparecer" .
Diante da insistência dos motoristas, o governador garantiu que iria analisar o pedido para redução do preço do pedágio nas estradas estaduais, mas disse que as outras reivindicações da categoria, como modificações no Código Nacional de Trânsito e preço do frete, não são de competência do Estado. "Não é o preço do pedágio que está alto, e sim o valor do frete que está baixo; acho isso errado", disse.
Apesar de considerar o diálogo positivo, os caminhoneiros reafirmaram a intenção de permanecer no local. "O governador sentiu que a classe está unida, o movimento é pacífico e a reivindicação é justa", disse Jorge Donato Dias, um dos coordenadores do protesto. "Nosso movimento está mostrando que o transporte é importante e merece um retorno do governo", completou.
Por volta das 14 horas, os motoristas começaram a retirar os caminhões, que ocupavam as pistas da rodovia, para estacioná-los no acostamento. Apesar de permitir o trânsito de veículos de passeio e ônibus, os manifestantes afirmavam que continuariam impedindo o tráfego de outros caminhões, principalmente aqueles que tentassem chegar a Replan para o transporte de combustíveis.


