Rio, 29 (AE) - A Eletrobrás voltou atrás e resolveu assumir o déficit atuarial de R$ 1,2 bilhão do fundo de pensão de Furnas Centrais Elétricas, o Fundo Real Grandeza. O presidente de Furnas, Luiz Carlos Santos, informou que, ontem (28), foi dada autorização por parte da Eletrobrás para que a empresa inicie na terça-feira (02) o processo de negociação com o presidente do Fundo Real Grandeza para que sejam elaboradas as cláusulas da chamada confissão de dívida, com base no valor de R$ 1,204 bilhão de déficit atuarial.
Segundo Santos, a agência contratada para refazer os cálculos, a Taurus, chegou ao mesmo valor calculado pela W. M. Mercer, que havia sido contratada a pedido da antiga direção de Furnas.
Na época, o número foi contestado pelo Conselho Nacional de Desestatização (CND), que resolveu não assumir a dívida, apenas provisioná-la, até que uma nova consultoria refizesse os cálculos. Na época, o CND decidiu ainda que fossem examinadas políticas que viessem a propiciar a redução do déficit provisionado.
A medida tomada pelo CND fez com que o presidente de Furnas na época, Luiz Laércio Simões, pedisse demissão e também desencadeou uma série de processos contra a privatização da empresa.
O presidente da Eletrobrás, Firmino Sampaio, havia informado que o déficit atuarial do Fundo Real Grandeza, de Furnas, havia caído de R$ 1,204 bilhão para R$ 874 milhões, com a mudança no cálculo dos benefícios.
O presidente de Furnas não soube explicar o porquê da mudança no valor. Também não informou quando o valor será registrado no balanço, nem se será mantida a estrutura para o repasse da dívida após a cisão de Furnas.
"Só vou comunicar que a Eletrobrás autorizou Furnas a iniciar a negociação com o Fundo Real Grandeza para a elaboração dos termos de confissão de dívida, com base no valor de R$ 1,204 bilhão apontado pelas consultorias", ressaltou.
Pelo modelo apontado pelo CND, em 14 de abril, com base no déficit provisionado de R$ 1,204 bilhão, Furnas Geração 1 ficaria com R$ 88 milhões do total da dívida, Furnas Geração 2, com R$ 46,6 milhões, e Furnas Transmissão, que continuará nas mãos do governo, com a maior fatia, de R$ 1,070 bilhão.
O presidente de Furnas informou que a idéia é assumir a dívida e zerar o déficit para que se inicie um novo plano de previdência. Os detalhes da negociação só serão divulgados na terça-feira, quando Santos se reúne com o presidente do Fundo Real Grandeza.





