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quarta-feira, 28 de julho de 1999
Por Alda do Amaral Rocha 
São Paulo, 29 (AE) - A Sadia paralisou hoje o seu principal abatedouro, localizado em Concórdia (SC), por causa da greve dos caminhoneiros. Com a fábrica de Concórdia, já são oito o número de unidades da Sadia paralisadas, de acordo com o diretor financeiro da empresa, Luiz Gonzaga Murat. A empresa tem 11 unidades de produção espalhadas pelo País. A fábrica de Concórdia abate diariamente 235 mil frangos e processa 450 t de produtos industrializados, principalmente embutidos derivados de carne suína.
"A cada dia que passa, a situação está piorando. Não se chega a uma solução sobre a greve e enquanto isso os estoques de matérias-primas e insumos estão se exaurindo", afirmou Murat. Segundo ele, a Sadia está produzindo hoje menos de 30% de sua capacidade total, que é de 4 mil t/dia. Devido à greve, a produção hoje caiu para cerca de 1 mil diárias entre produtos de frango, peru, suínos e outros alimentos.
O diretor financeiro da Sadia se queixou do fato de que representantes da indústrias não puderam participar da reunião de ontem entre o ministro dos transportes Eliseu Padilha e líderes do movimento grevista. Ele defendeu uma política coordenada do governo para solucionar o problema, que está causando prejuízos a vários setores da economia.
O diretor financeiro da Sadia Luiz Gonzaga Murat disse que com a continuidade da greve dos caminhoneiros hoje "provavelmente" só uma fábrica da companhia estará funcionando amanhã. Por questões estratégicas, ele não divulgou qual a localidade da fábrica.
Murat disse que é difícil avaliar quanto tempo levará para a situação de abastecimento se normalizar após o término da paralisação. Segundo ele, nas grandes cidades a maioria das pessoas não percebeu a intensidade do movimento, porque os varejistas ainda tinham estoque. No entanto, agora não está havendo reposição por causa das dificuldades de entrega dos produtos alimentícios em função dos bloqueios nas estradas e porque as indústrias tiveram de interromper a produção.
Dessa forma, Murat acredita que após o fim da greve pode haver demora na chegada de mercadorias nos supermercados. Ele diz ainda que isso pode gerar um "efeito em cadeia", como o excesso de demanda por temor de desabastecimento.


