São Paulo, 29 (AE) - O economista José Júlio Sena, da MCM Consultores, acredita que o Banco Central agiu de forma "absolutamente coerente" com o modelo de metas inflacionárias, ao anunciar ontem a redução das taxas básicas de juros de 21% para 19,5% e ao eliminar o viés de baixa para a condução dos juros, adotando o viés neutro.
"É uma resposta puramente econômica", disse Sena, que considera um "erro" a interpretação de que o governo teria um alvo político, visando agradar o lado da economia real, ao reduzir os juros em 1,5 ponto percentual. Segundo ele, a decisão do Copom foi "coerente" com o modelo das metas.
Ao reduzir as taxas básicas de juros, o BC está apontando que acredita em "expectativas bem comportadas" para a inflação nos próximos meses. De acordo com Sena, os aumentos de preços que ocorreram neste ano vieram, basicamente, em consequência da mudança do regime cambial e do reajuste das tarifas públicas, e não deverão se repetir, o que aponta para uma inflação sob controle.
Sena acredita que, ao eliminar o viés de baixa para os juros, o BC não estaria afastando a possibilidade de novas reduções dos juros. "O fato de ser neutro (o viés) não quer dizer que a taxa de juro não cai para 19% na próxima reunião do Copom", disse o economista, referindo-se à próxima reunião, marcada para o dia 1º de setembro.

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