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quinta-feira, 01 de julho de 1999
Por Beatriz Coelho Silva 
Rio, 02 (AE) - A história do Rio de Janeiro começou bem antes da fundação, em 1º de março de 1565, quando os índios Tupinambá e Tamoio disputavam os manguezais e florestas que cercavam a Baía da Guanabara. Esta é a opinião da diretora do Arquivo Geral da Cidade, Lélia Coelho Frota, que coordena a produção do CD-Rom O Rio de 1500. Oitenta mil exemplares serão distribuídos em escolas de 1º e 2º graus, universidades e bibliotecas.
"Naquela época o Rio era uma fantástica mistura da cultura indígena com o que havia de mais avançado em termos de tecnologia e ciência européias", comenta Lélia, antropóloga de formação que preocupou-se em mostrar não só a sociedade da época
mas também a flora e a fauna cariocas. "Aqui aportavam as caravelas, que eram tecnologia de ponta em termos de navegação, e a arquitetura jesuítica, que os padres levaram para o Morro do Castelo." Segundo ela, o urbanista Lúcio Costa considera este tipo de arquitetura revolucionária.
O historiador Ronald Rominelli, especialista em Período Colonial da Universidade Federal Fluminense (UFF), coordena o trabalho de uma equipe que envolve botânicos, arqueólogos, zoólogos, antropólogos e até uma linguista, Diva Graciosa, funcionária do Arquivo, para selecionar os textos sobre a cidade e tentar recuperar o idioma que surgiu do encontro de indígenas com os primeiros europeus que aqui chegaram, portugueses e franceses.
Há ainda muito material iconográfico da ou sobre a época
obtido em mais de 20 instituições, como a mapoteca do Ministério das Relações Exteriores, o Arquivo e a Biblioteca Nacionais. Todo o material está sendo rprocessado pelos cineastas Jorge Bodanski e Raquel Couto, que assinam a direção do CD-Rom. A trilha sonora é de Aloísio Didier. Os textos serão curtos, entremeados de desenhos e pinturas que mostram como os cariocas se viam e eram vistos pelos europeus.
O lançamento está previsto para antes do fim do ano letivo, pois o público alvo é estudantil. "Pela primeira vez, eles terão acesso a essas informações reunidas em uma só fonte"
disse Lélia Frota.


