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quinta-feira, 01 de julho de 1999
Por Felipe Werneck 
Rio, 02 (AE) - Um manifesto pelo tombamento do Canecão - tradicional casa de espetáculos carioca - deverá ser entregue na segunda-feira (05) ao presidente da Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral Filho (PMDB). O pesquisador Ricardo Cravo Albin afirma já ter recolhido cerca de 200 assinaturas de pessoas contrárias à desocupação do imóvel, exigência feita pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), proprietária do terreno onde funciona o Canecão.
Assinaram o documento o compositor Chico Buarque, o arquiteto Oscar Niemeyer, o cartunista Jaguar, a atriz e diretora Bibi Ferreira e o presidente da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), Barbosa Lima Sobrinho, entre outros.
No dia 15 de junho o reitor da UFRJ, José Henrique Vilhena, encaminhou uma notificação à casa de espetáculos, que estaria devendo mais de R$ 2 milhões em taxa de ocupação, exigindo a desocupação em um mês. Inaugurado em 1967, o Canecão ocupa 4 mil metros quadrados da área total de 102 mil metros quadrados do câmpus da UFRJ na Praia Vermelha, zona sul da cidade.
De acordo a UFRJ, o contrato de locação do terreno da casa terminou em 1996 e as partes não teriam chegado a um acordo para a renovação do documento. Nessa época, o Canecão estaria disposto a pagar R$ 10 mil por mês. A UFRJ diz que o espaço vale até R$ 50 mil.
A direção do Canecão afirma que os aluguéis estão sendo depositados em juízo, "no exato valor devido". O sócio da casa de espetáculos Mário Priolli, informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que já foram depositados cerca de R$ 800 mil. Ele classificou de "absurdo" o valor de R$ 50 mil estipulado pela universidade e afirmou que o contrato de locação
pelo qual a casa deve pagar R$ 9 mil por mês, teria validade até 2001. O Canecão tem shows agendados até março de 2000.
Reintegração - A Procuradoria-Geral da UFRJ afirma que se o imóvel não for desocupado dentro do prazo a universidade entrará na Justiça com uma ação de reintegração de posse. A UFRJ pretende usar a área do Canecão para outros empreendimentos.Pelos cálculos de Vilhena, essa iniciativa poderá render até US$ 5 milhões por ano.
"Nossa luta é um alerta em defesa dos pontos de referência da cidade", disse Ricardo Cravo Albin, autor do manifesto. "Me formei na UFRJ e entendo sua luta por verbas, mas esse não é o caminho, porque o Canecão faz parte de nosso mapa cultural, sentimental e afetivo."


