Rio, 02 (AE) - Um manifesto pelo tombamento do Canecão - tradicional casa de espetáculos carioca - deverá ser entregue segunda-feira ao presidente da Assembléia Legislativa do Rio, Sérgio Cabral Filho (PMDB). O pesquisador Ricardo Cravo Albin, autor da idéia, afirma já ter recolhido cerca de 200 assinaturas de pessoas contrárias à desocupação do imóvel, exigência feita pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), proprietária do terreno onde funciona o Canecão. O compositor Chico Buarque, o arquiteto Oscar Niemeyer, o cartunista Jaguar, a atriz e diretora Bibi Ferreira e o presidente da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), Barbosa Lima Sobrinho, são alguns dos signatários do documento.
No dia 15 de junho, o reitor da UFRJ, José Henrique Vilhena, encaminhou uma notificação à casa de espetáculos, que estaria devendo mais de R$ 2 milhões em taxa de ocupação, exigindo a desocupação no prazo de um mês. Inaugurado em 1967, o Canecão ocupa 4 mil metros quadrados da área total de 102 mil metros quadrados do câmpus da UFRJ na Praia Vermelha, zona sul da cidade. De acordo com informações da Procuradoria-Geral da UFRJ, o contrato de locação do terreno da casa expirou em 1996, quando as duas partes não teriam chegado a um acordo para a renovação do documento. Nessa época, o Canecão estaria disposto a pagar R$ 10 mil por mês por uma taxa que vale, pelos cálculos da UFRJ, até R$ 50 mil.
A direção do Canecão afirma, porém, que os aluguéis estão sendo depositados em juízo, "no exato valor devido". O sócio da casa de espetáculos, Mário Priolli, informou, por meio de sua assessoria de Imprensa, que já foram depositados cerca de R$ 800 mil. Ele classificou de "absurdo" o valor de R$ 50 mil estipulado pela universidade e afirmou que o contrato de locação
pelo qual a casa deve pagar, pelos seus cálculos, R$ 9 mil por mês, teria validade até 2001. O Canecão tem shows agendados até março de 2000. Reintegração - A Procuradoria-Geral da UFRJ afirma que se o imóvel não for desocupado até o fim do prazo estipulado, a universidade entrará na Justiça com ação de reintegração de posse. A UFRJ pretende realizar na área do Canecão, empreendimentos que possam trazer recursos para seus cofres. Pelos cálculos de Vilhena, essa iniciativa poderá render até US$ 5 milhões por ano. "Nossa luta é um alerta em defesa dos pontos de referência da cidade", declarou o autor do manifesto. "Me formei na UFRJ e entendo sua luta por verbas, mas esse não é o caminho, porque o Canecão faz parte de nosso mapa cultural, sentimental e afetivo", disse Albin.

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