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quinta-feira, 01 de julho de 1999
Por Evaldo Magalhães 
Belo Horizonte, 02 (AE) - Noventa e cinco famílias ocuparam nesta madrugada a fazenda Ponte Nova, de 1.780 hectares
no município de Betim, na região metropolitana de Belo Horizonte. A invasão foi coordenada pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), que cadastrou as famílias na região.
De acordo com dirigentes do MST, mais de 80% da fazenda Ponte Nova é improdutiva e já foi vistoriada pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). "Se não pressionarmos, ocupando as fazendas que serão desapropriadas, os processsos não andam", disse José Pinto, do escritório do MST em Belo Horizonte. A ocupação aconteceu poucas horas depois que 200 famílias de sem-teto deixaram uma área próxima, da Prefeitura de Betim.
Os sem-teto, coordenados pela Liga Operária e Camponesa (LOC), uma dissidência do MST que tem como filosofia a fusão de marxismo, leninismo e maoísmo, haviam ocupado a fazenda "Bandeirinhas" em fevereiro. No dia 26 de abril entraram em conflito com a Polícia Militar, numa tentativa de reintegração de posse. Dois dos acampados morreram. O grupo, que poucos dias depois do conflito promoveu uma quebradeira no prédio da Prefeitura da cidade, seguiu para duas áreas da periferia, cedidas pelo município. Eles ficarão acampados em barracas de lona até que comece a construção de casas populares, em regime de mutirão.


