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quinta-feira, 01 de julho de 1999
Por Carlos Mendes, especeial para a AE 
Belém, 02 (AE) - Revoltada com a prisão de duas adolescentes e o suicídio de uma delas, a população do município de Bagre, no arquipélago do Marajó, norte do Pará, destruiu e depois queimou, ontem (01), a delegacia local. O motivo da prisão das jovens ainda não foi esclarecido, de acordo com a Delegacia Geral da Polícia Civil, em Belém. A segurança em Bagre é responsabilidade da Polícia Militar - cinco soldados e um sargento - uma vez que não há destacamento da Polícia Civil no município.
O chefe da Polícia Civil, João Moraes, informou hoje que uma equipe de policiais, reforçada por 16 militares, deslocou-se de Belém até Bagre para investigar os fatos. O delegado Edmilson Faro, do município de Breves, vizinho a Bagre, comandará as investigações. Faro contou que a adolescente V.L.S., de 16 anos, e outra menor, de 15, foram presas e conduzidas por policiais militares até a delegacia. Ambas chegaram a ser liberadas, mas posteriormente V. voltou a ser presa e recolhida ao xadrez.
Na cela, a jovem enforcou-se com o próprio sutiã. Quando populares da pequena cidade de seis mil habitantes souberam o que havia ocorrido, foram para a delegacia, retiraram o corpo da garota da cela e libertaram outros presos. Em seguida, a multidão destruiu a golpes de picareta e machado a delegacia e, depois, ateou fogo no prédio. Os policiais militares tiveram que fugir da cidade para não serem mortos.


