Agência Folha
A Cadeia Pública de São José dos Campos (SP), conhecida como Putim, registrou domingo a fuga de 334 presos - a maior já ocorrida no Estado de São Paulo. O delegado regional do Vale do Paraíba, Antônio Carlos Gonçalves da Silva, disse que a fuga ocorreu após a rendição de um carcereiro no interior da cadeia, por presos armados.
A versão inicial passada à Polícia Militar pela carceragem era de que oito homens fortemente armados com fuzis, pistolas e revólveres, haviam rendido os carcereiros e invadiram o estabelecimento penitenciário, passando a abrir as celas, por volta das 18 horas.
Os detentos teriam saído correndo e fugiram em direção ao mato nas proximidades da cadeia, para os bairros Putim e São Judas e para as rodovias dos Tamoios e Carvalho Pinto. A PM tomou precauções extras nas margens das estradas. A fuga recorde no local até então aconteceu em novembro de 97, quando 197 dos 328 presos dominaram os funcionários de plantão e saíram pelo portão da frente.
Segundo o cabo da PM Antonio Carlos Rodrigues, foram solicitados reforços do policiamento aéreo e da Polícia Rodoviária, além da procura com cachorros. A nossa estimativa é que havia 485 presos na cadeia, disse. Policiais militares e civis fizeram um cerco nas proximidades da cadeia, impedindo a passagem de pessoas e de carros. Os presos estariam realizando assaltos em casas da região, roubando carros e fazendo algumas pessoas como reféns. Houve troca de tiros no local.
De acordo com Rodrigues, a PM deslocou um efetivo de cerca de 200 homens - com reforço de cidades vizinhas - nas buscas dos fugitivos. Até o final da tarde de ontem, 85 detentos haviam sido recapturados. A Folha de S.Paulo apurou que o grupo chegou ao portão da cadeia e um de seus integrantes chamou um carcereiro para pedir uma informação. O funcionário foi rendido e feito refém, permitindo a entrada da quadrilha no estabelecimento.
Segundo o delegado regional do Vale do Paraíba, Antônio Carlos Gonçalves da Silva, a fuga teria acontecido depois que um preso pediu para atender um outro detento que estava passando mal. Os presos tinham uma arma na cela e o carcereiro foi rendido. A partir daí, eles abriram as outras celas e fugiram pela frente. O delegado informou que, no momento da fuga, estavam trabalhando 17 carcereiros.
Existe a suspeita de que houve facilitação para que os presidiários fugissem pelo portão principal. Segundo o cabo Hélio Machado, do 3º BPM, os detentos estavam armados com duas espingardas calibre 12 e uma pistola 45. Os fugitivos levaram as armas dos policiais - três revólveres calibre 38 e dois calibre 12.
Há duas semanas, telefonemas anônimos à imprensa denunciaram que a população carcerária estava planejando a fuga em massa com a ajuda de policiais. Segundo o autor dos telefonemas, as denúncias de corrupção no presídio, remetidas aos senadores da CPI do Judiciário, seriam o motivo da facilitação.
A deputada Ângela Guadagnin (PT-SP) denunciou aos senadores um suposto esquema de corrupção no presídio, com base numa carta anônima. A pessoa revelava que detentos condenados ao regime fechado pagaram propina de até R$ 10 mil para conseguir a transferência para um anexo da cadeia onde obtinham benefício de regime semi-aberto.
As acusações estão sendo apuradas pela Corregedoria Geral da Justiça. A Corregedoria da Polícia Civil também investiga as supostas irregularidades. Um ex-diretor da prisão, Eduardo Kipzinski, está preso, a acusado de ter facilitado a fuga de 25 presos no fim de 98. (Colaborou Agência Globo).





