São Paulo, 01 (AE) - O governador Mário Covas (PSDB) vai se submeter a quatro sessões de quimioterapia para prevenir o reaparecimento do câncer extirpado da bexiga em cirurgia no final do ano passado. A primeira sessão será realizada no sábado de carnaval, dia 13 de fevereiro, data escolhida pelo próprio governador.
O anúncio foi feito hoje, em entrevista coletiva, pela equipe de médicos que cuidam de Covas. A decisão foi comunicada depois de uma conversa entre os médicos e o governador na noite de domingo, em que foi definida a data do início do tratamento.
Em cada sessão de quimioterapia, o governador terá de ficar internado por três dias recebendo medicação por via venosa. O intervalo entre as sessões será de três a quatro semanas. O tratamento deve durar cerca de quatro meses e será realizado no Instituto do Coração (Incor).
"Embora o resultado da cirurgia tenha sido muito satisfatório, ninguém pode garantir que não tenham sobrado células cancerosas", explicou o oncologista do Hospital das Clínicas Ricardo Brentani, sobre a necessidade da quimioterapia. Segundo ele, se tiver ocorrido disseminação de células cancerosas, elas serão combatidas por meio do tratamento. No caso de Covas, será aplicado o esquema ITP, composto das drogas Ifosfamida, Taxol e Cisplatina. Esses medicamentos, associados, têm a função de matar as células que estão em divisão.
De acordo com Brentani, em geral a composição de drogas adotada no caso do governador é bem tolerada. Ele explicou que a quimioterapia pode provocar reações alérgicas, naúseas, vômitos e tonturas, efeitos colaterais que, segundo ele, são controladas com medicação acessória.
Brentani afirmou ainda que, a princípio, o governador poderá manter suas atividades normais durante os intervalos das sessões. O tratamento, segundo ele, é novo - começou a ser aplicado há cerca de um ano - e de menor toxidade ao paciente. Mesmo assim, a equipe vai usar drogas para proteger os rins e a médula óssea do governador, regiões que podem ficar tornar-se sensíveis com a administração da quimioterapia.
O tratamento pode baixar a resistência imunológica do paciente, tornando o organismo mais propício a infecções. Por causa disso, haverá um acompanhamento constante das condições de saúde. Covas pode chegar a apresentar ainda sinais de debilidade física, fraqueza e até queda de cabelo, dependendo da quantidade de medicação que será administrada.
Relutância - Segundo um médico ligado ao grupo do governador
a demora em relação ao anúncio da quimioterapia deve-se à relutância da família em realizar o tratamento. A decisão pelo tratamento, de acordo com o médico, já estava tomada desde a vinda dos oncologistas do Memorial Hospital (EUA), que reforçaram a opinião da maioria dos integrantes da equipe brasileira em adotar essa alternativa.
Desde então, o anúncio só não foi feito porque a família do governador ainda não tinha tomado uma decisão. "Nesses casos, há sempre uma certa relutância quanto ao tratamento; é uma reação muito normal, já que esse é um método agressivo", afirmou.
O infectologista David Uip, médico particular de Covas, porém
afirmou que o governador e a família aceitaram prontamente o tratamento. "Isso mostra a total confiança do paciente nas decisões da equipe." Segundo ele, a família está "otimista" quanto ao resultado da quimioterapia.
Brentani afirmou que não existe, no mundo, dados que comprovem a eficácia do tratamento em casos semelhantes ao do governador. Em situações em que houve metástase - quando o câncer espaalha-se para outros órgãos -, há 35% de chances de desaparecimento completo da doença. No caso de Covas, exames comprovaram que o câncer não se espalhou. "Se em doenças muito mais graves o resultado é bom, a proteção, no caso do governador
será maior", disse Brentani.
Covas foi submetido no dia 14 de dezembro à cirurgia para retirada de tumor na bexiga e reconstrução do órgão com parte do intestino. Ele deixou o Incor no dia 28 de dezembro. O urologista Sami Arap disse que o governador está totalmente recuperado da operação e a bexiga já funciona normalmente.

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