Rio, 01 (AE) - Sem maioria formal -só 22 dos 70 deputados estaduais empossados hoje são de sua base-, o governador do Rio, Anthony Garotinho (PDT), distanciou-se de sua coligação e se aproximou do presidente da Assembléia Legislativa, Sérgio Cabral Filho (PSDB), para aprovar projetos de seu interesse, como o pacote de ajuste que envia na quarta-feira (03) ao Legislativo. "Estou aberto a novas alianças", declarou hoje, um dia após se reunir com deputados do PDT, PT, PSB, PC do B e PV, quando avisou que não discutirá mais a Mesa Diretora da Alerj e criticou o seu partido. "Não vou lotear o governo, chega, estou fora", afirmou.
O pedetista não demonstrou, na reunião, preocupação com o destino dos projetos, que considera essenciais para tirar o Estado do déficit mensal de R$ 70 milhões para um superávit de R$ 110 milhões. Alguns parlamentares avaliam que o governador, com a garantia de apoio de Cabral Filho, quer independência da base que o elegeu. A pedido de Garotinho, a Assembléia vai antecipar o início de seus trabalhos do dia 15 para quarta-feira (03) a fim de iniciar a tramitação de propostas como a criação de um fundo de aposentadoria, o fim de incorporações salariais indevidas e o estabelecimento em R$ 9,6 mil do teto salarial.
"O pessoal do PDT vem aqui, me diz uma coisa, depois vai ao (Leonel) Brizola (presidente nacional do partido) e diz outra; chega!", afirmou Garotinho, no início da reunião de ontem, surpreendendo os parlamentares. "A Cidinha (Campos, deputada do PDT) diz em seu programa de rádio que estou nomeando parentes." Quando o deputado pedetista Paulo Ramos tentou argumentar que o governador estava sendo injusto, ouviu de Garotinho: "Estou fora
deputado." Ele recomendou aos parlamentares que façam como Chico Alencar (PT) já prometeu: aprovar, entre as propostas do governo, só aquilo do que gostarem.
Na cerimônia de posse, hoje, na Assembléia Legislativa, alguns deputados da base governista demonstravam insatisfação com o acordo fechado, que deu à esquerda as presidências de 13 das 26 comissões, a presidência e a maioria na Comissão de Constituição e Justiça e a maioria na Comissão de Orçamento, com rodízio no cargo de presidente, a começar pelo deputado tucano Paulo Melo, ligado ao ex-governador Marcello Alencar (PSDB). "Fui eleita deputada estadual, não integrante da Confraria do Garotinho", disse a deputada Cidinha Campos (PDT), contestando o governador.
A parlamentar negou ter acusado Garotinho de nomear parentes para cargos públicos. "Só não acho certo nomear o (Alfredo) Sirkis (presidente nacional do PV) e a mulher, o Tito Ryff (secretário de Desenvolvimento Econômico) e a mulher", criticou. Ela também reclamou que alguns nomes tradicionais do PDT foram excluídos das nomeações ou humilhados e disse que vai votar de forma independente, embora o governador -a quem acusou de tentar tirar do ar o seu programa de rádio- possa contar com seu apoio para "projetos de interesse do Estado". A deputada também reclamou do fato de Melo presidir a Comissão de Orçamento no ano em que a instituição julgará contas de Alencar.
O deputado pedetista Albano Reis anunciou hoje que vai pedir uma auditoria nas contas da Assembléia Legislativa, por considerar que há superfaturamento em compras, e vai solicitar a cassação de Cabral Filho, porque, para justificar seus rendimentos, o presidente declarou ter prestado serviços à empresa particular BR Comunicação. Reis não se conformar porque foi sorteado pelo PDT para representá-lo na Mesa Diretora, mas teve seu nome vetado pelo presidente da Assembléia. Para Chico Alencar, as divergências e as atitudes de Garotinho mostram que "o bloco (de apoio) é uma ficção e que o governador "se rendeu ao esquema Cabral/Jorge Picciani (deputado do PMDB, primeiro secretário)".

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