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segunda-feira, 01 de fevereiro de 1999
Por RosaCosta 
Brasília, 01 (AE) - O presidente do Congresso, Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), atacou hoje, ao ser reconduzido ao cargo de presidente do Senado, "os agentes econômicos ganaciosos, comandados por instituições financeiras, que estariam agindo de maneira irresponsável a criminosa para desvalorizar o Real".
Ele afirmou que uma das metas dele, no comando do Congresso, será a de combater os "condutores da especulação". ACM disse que isso será feito com a votação de medidas do ajuste fiscal e das reformas tributária, política e do Judiciário". Exigiu, em contrapartida, o mesmo procedimento das autoridades econômicas, sob pena de o País enfrentar uma crise econômica e política sem precedentes.
O senador detalhou, no discurso, como têm agido essas instituições, com operações especulativas e danosas nos mercados à vista e futuro de câmbio, envolvendo perdas e danos da ordem de R$ 7 bilhões. "Para isso, utilizaram-se de rumores e boatos terroristas, como o confisco, moratória e outros", afirmou, ao sintetizar o quadro verificado em quase todo o Páis na sexta-feira (29). "Isso, objetivando unicamente ganhar às custas da fragilização de toda a economia do País."
Para ele, o objetivo dessa especulação é o de realimentar a inflação, com a remarcação desenfreada dos preços por causa da alta descomedida do dólar. "Envolvendo até produtos que nada têm a ver com a taxa de câmbio", ressalvou. O presidente do Senado defendeu o governo das "acusações demagógicas", ao lembrar lembrar da "atuação e competência" do presidente Fernando Henrique Cardoso, mas frisou que isso não o deixa imune à crítica, "até porque, sem as críticas, não poderá haver trabalho correto". Dentro dessa linha, antecipou que o presidente sabe que nem tudo que ele queira conseguirá do Congresso. "Ao contrário do que ocorrerá, quando estiver em jogo o interesse da Nação."
O discurso de ACM foi o ponto forte da solenidade de posse dos 27 senadores eleitos em outubro. A permanência dele no cargo foi apoiada por 70 dos 80 senadores presentes. Três votaram contra, como a recém eleita senadora Heloisa Helena (PT-AL), que declarou o voto. Sete senadores abstiveram-se. O acordo para recondução de ACM e do presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), foi feito em 1998.
A idéia foi apoiada pelo governo e pela ampla maioria dos senadores, alguns dos quais discordam da forma ríspida como ele atua algumas vezes. Ainda assim, concordam que a escolha do mais influente líder político do País para dirigir o Senado, nos próximos dois anos, vai fortalecer ainda mais a Casa e o Congresso.
A posse dos 27 senadores durou menos de dez minutos. Como mais antigo parlamentar, o senador José Sarney (PMDB-AP), leu o juramento de "respeitar a Constituição e as leis", repetido pelos colegas. A indicação dos demais cargos da Mesa se deu em seguida. Retornam ao Senado figuras conhecidas da política brasileira, como o ex-governador do Amazonas Gilberto Mestrinho (PMDB), o ex-prefeito do Rio Roberto Saturnino (PSB) e o ex-relator da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investigou o esquema de corrupção comandado pelo empresário Paulo César Farias, o PC, Amir Lando (PMDB-RO).


