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segunda-feira, 01 de fevereiro de 1999
Por Gerson Camarotti 
Brasília, 01 (AE) - O presidente Fernando Henrique Cardoso interferiu diretamente para que os partidos da base aliada na Câmara formalizassem um acordo com o objetivo de reconduzir o deputado Michel Temer (PMDB-SP) à presidência da Casa e compor os cargos da Mesa Diretora e das comissões. A eleição da nova mesa acontece durante a sessão de amanhã (02).
Com o acordo fechado no fim da tarde de hoje, será respeitada para o preenchimento dos cargos a proporcionalidade das bancadas eleitas em 4 de outubro.
A decisão acabou segurando, pelo menos durante o dia de hoje, a migração de mais de 20 deputados para outros partidos. Eles haviam pedido à Secretaria-Geral da Câmara a mudança de legenda. A negociação entre os líderes aliados foi tensa. Revoltados com o PMDB, que havia conseguido aumentar a bancada em mais de dez deputados, o PSDB, o PFL e o PPB ameaçaram lançar a candidatura do líder do PFL, Inocêncio de Oliveira (PE), à presidência da Câmara, contra Temer.
Na noite de ontem (31), o articulador político do governo e ministro das Comunicações, Pimenta da Veiga, havia tentado, sem sucesso, um acordo com os líderes aliados numa reunião tensa. O líder do PMDB, Geddel Vieira Lima (BA), propôs bater chapa e Oliveira aceitou o desafio. "O PMDB já tem o comando político da Casa e ainda quer ter o comando legislativo; é demais", reclamou Oliveira. "Eles correm o risco de ficar sem nada", completou.
Diante do impasse, o líder pefelista ligou, na manhã de hoje, para o secretário-geral da Câmara, Mozart Viana, com o objetivo de saber como poderia formalizar o próprio nome, uma vez que contava com o apoio de 270 deputados do PFL, PSDB e PPB. A disputa gerou conflitos entre os deputados aliados. Com o clima tenso, Fernando Henrique ligou a Oliveira, pedindo para haver um entendimento, que só saiu depois de uma segunda reunião, no gabinete da liderança do PFL, contando com a ajuda de Veiga e do ministro do Trabalho, Francisco Dornelles.
"Temos de começar a nova legislatura com paz entre os aliados, pois, caso contrário, será um suicídio político", argumentou Dornelles.
"Estamos no epicentro da crise; por isso, é fundamental a união da base", comentou Oliveira, explicando o motivo de ter retirado a candidatura à presidência da Casa. Ao saber da notícia, Temer respirava aliviado. "Agora, está tudo certo", comemorava Temer, ao encontrar com lideranças dos outros partidos.
Pelo acordo, a composição da Mesa Diretora da câmara será igual à da legislatura passada. Para as comissões permanentes, o critério será a proporcionalidade das bancadas. Já para as comissões especiais e relatorias de medidas provisórias (MP), o PMDB terá o mesmo número de representantes do PFL e do PSDB.
Mas, a partir de quarta-feira (03), com a eleição da Mesa, os partidos ficam livres para arregimentar novos deputados. "Era preciso estimular a fidelidade partidária", explicou o líder do PSDB, Aécio Neves (MG). "A briga pelo crescimento das bancadas acabou permitindo chantagens de toda a ordem", lamentou. No PPB, a sensação também era de alívio. "Acabou a autofagia que iria fragmentar a base", observou o vice-líder do PPB, Gerson Peres (PA).
Mesmo com a trégua, a mudança de partidos será grande. Só o PPB deve perder pelo menos dez deputados. Líderes do partido esperavam conseguir outros seis deputados para compensar as baixas. Hoje, o deputado Carlos Rodrigues (PFL-RJ), bispo da Igreja Universal do Reino de Deus (Iurd), organizava o fortalecimento do PST, que passará de um para cinco deputados.
Todos da Igreja Universal. Ele mesmo deverá mudar de partido e irá para o PL. A idéia é formar um novo bloco independente entre o PL e o PST, com 19 deputados. O PMDB deverá ganhar mais de dez deputados. Já o PSDB e o PFL também devem crescer, mas em proporções menores.


