Washington, 01 (AE-REUTERS) - Cientistas que pesquisam uma vacina contra a aids viveram um revés hoje (01) depois que um estudo confirmou o que eles tanto temiam - a chamada vacina "viva" não funciona em macacos.
Testes em símios mostraram que uma versão viva - mas enfraquecida geneticamente - do vírus em algum momento se reconstitui no corpo, infectando o animal com a aids.
"Nossos estudos mostraram que não é seguro conduzir em seres humanos testes de vacinas com o vírus vivo ou enfraquecido", afirmou a doutora Ruth Ruprecht, do Dana-Farber Cancer Institute, de Boston (EUA).
"Há um risco real de contrair o vírus da aids destas vacinas", disse a especialista. Ruprecht já havia alertado anteriormente que os macacos poderiam desenvolver aids ao tomarem a vacina.
Em um artigo da edição de fevereiro do jornal "Nature Medicine", ela afirma agora que todos os oito filhotes de macaco que receberam a vacina durante o estudo desenvolveram, em algum momento, algum problema no sistema imunológico, sendo que seis deles tiveram aids.
Dos 16 macacos adultos que receberam a vacina, quatro apresentaram o vírus em seu sangue, um mostrou sinais de problemas no sistema imunológico e um morreu de aids.
Este resultado representa um revés para médicos e ativistas que se apegavam à esperança de que a vacina "viva" poderia ser testada em seres humanos.
Todos os pesquisadores concordam que a vacina é a única esperança real para se lutar contra o vírus da aids. Algumas drogas já conseguem diminuir muito os efeitos da doença, mas ninguém ainda pode afirmar por quanto tempo.





