Londres, 01 (AE-REUTERS) - A descoberta de que o vírus da aids humano originou-se em chimpanzés pode aproximar os cientistas do objetivo que os ocupa há anos: uma vacina contra a doença fatal que já infectou 35 milhões de pessoas no mundo inteiro.
Pesquisadores nos Estados Unidos anunciaram a descoberta no domingo, aparentemente removendo quaisquer dúvidas a respeito da origem do vírus.
Beatrice Hahn e seus colegas da Universidade do Alabama disseram que o vírus veio de uma subespécie de chimpanzés chamada de Pan Troglodita.
Testes genéticos de amostras de sangue e tecidos de um chimpanzé chamado Marilyn revelaram um vírus de imunodeficiência símia, ou SIV, que é muito parecido com o HIV, o vírus humano.
O SIV infecta os chimpanzés mas não provoca doenças.
Cientistas esperam que ao estudar os animais infectados em seu ambiente natural descobrirão por que eles não ficam doentes -o que pode ser uma informação valiosa no combate ao HIV e à aids.
"Esta pesquisa pode ajudar-nos a melhorar a terapia de combate ao HIV e a desenvolvermos uma vacina", disse Andrew Ridley, diretor da fundação de combate à aids The Terrence Higgins Trust, em uma declaração na segunda-feira.
"Este é um dos acontecimentos mais importantes na história da pesquisa sobre o HIV", acrescentou.
Andrew McMichael, da Universidade de Oxford, disse que a descoberta poderia fornecer novas informações sobre como o vírus causa infecções e qual é a reação do sistema imunológico.
"É a última peça no quebra-cabeças da tentativa de encontrar as origens do vírus", disse em uma entrevista por telefone. "O que é realmente importante agora é ver porquê os chimpanzés são protegidos".
McMichael está trabalhando com pesquisadores em Nairóbi para desenvolver duas vacinas que devem agir em conjunto para estimular células T no sistema imunológico para combater o vírus HIV.
Ele disse que a descoberta também pode aprofundar o entendimento de como a doença surgiu e, talvez, "apontar para outros ângulos inesperados de tratamento".
Cientistas acreditam que o vírus símio pode ter passado para seres humanos através de macacos infectados ou carne de macaco. Matar macacos para comer é comum em algumas partes da áfrica e o vírus pode ser transmitido pelo sangue na hora da matança.
Derek Bodell, diretor do National AIDS Trust na Grã-Bretanha, um dos parceiros na International AIDS Vaccine Initiative (Iniciativa Internacional para uma Vacina contra a aids), descreveu a descoberta como muito significativa.
"O quebra-cabeças começa a ser montado de uma maneira que permite que os cientistas canalizem suas energias na direção do que acham que terá mais sucesso", disse.
"Até agora, as pessoas tentavam explorar oportunidades que viam como potenciais para desenvolver vacinas ou melhorar o tratamento. Aqui, temos algo que é muito concreto". Bodell comparou a busca de 20 anos pela origem do vírus com um mistério de Agatha Christie.
"Esta é a Miss Marple arquetípica, voltando às origens. Não há dúvida de que muitas coisas irão se encaixar".

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