Lisboa, 01 (AE) - No dia em que as tropas de interposição da Ecomog iam desembarcar na Guiné-Bissau, a guerra civil voltou ao país. Hoje (01), a cidade foi atingida por morteiros dos rebeldes da junta militar que luta contra o governo do presidente João Bernardo Vieira.
Pela manhã, a Rádio Bombolon - a emissora dos rebeldes - deu um prazo de três horas para a população abandonar a cidade de Bissau, a capital do país. A partir das 14 horas começaram os tiros de morteiro contra a cidade.
No domingo à noite já tinha sido ouvidos disparos esporádicos na cidade de Bissau. O governo atribuiu os tiros à junta militar e esta fez um comunicado em que acusa as tropas senegalesas que apóiam o governo de serem as responsáveis pelos tiros. O conflito ressurge apenas 24 horas depois do ataque cardíaco que matou o bispo de Bissau, o italiano Septímio Ferrazetta, que foi o principal artífice do acordo entre o governo e a junta militar.
A estimativa do governo brasileiro é que atualmente se encontram na Guiné-Bissau cerca de 15 brasileiros - a maior parte deles missionários religiosos que estão no interior do país. Do pessoal da embaixada do Brasil apenas restou um funcionário, um contratado local que optou por ficar no país quando o embaixador foi retirado. Ele tem a função de cuidar do patrimônio. Hoje, ninguém atendia na embaixada até as 14 horas locais, quando as comunicações do país com o exterior foram cortadas.
A artilharia rebelde impediu o desembarque no país das primeiras tropas da Ecomog, um corpo de interposição africano, formado principalmente por soldados nigerianos. A substituição das tropas do Senegal e da Guiné Conacri, que sustentam o presidente Bernardino Vieira, pela Ecomog era a última condição colocada pelos rebeldes para aceitarem um novo governo.
A guerra civil na Guiné-Bissau começou em 7 de junho, quando os militares se rebelaram contra o presidente, acusando-o de tentativa de assassinato do chefe do Estado maior das forças armadas, o brigadeiro Assumane Mané. Depois de quase um mês de luta, foi obtido um cessar-fogo, em negociações promovidas pela Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, de que o Brasil faz parte.

mockup