Moscou, 01 (AE-REUTERS) - O presidente Boris Yeltsin completou hoje (01) 68 anos de idade como um sombra de si mesmo, forçado a cortar gastos no Kremlin por um parlamento liderado pelos comunistas que quer aprovar seu impeachment e reduzido por suas doenças a um papel secundário no governo da Rússia.
Quando o primeiro-ministro Yevgeny Primakov e o patriarca da Igreja ortodoxa levaram flores de aniversário à clínica onde ele convalesce de uma úlcera, o gesto sugeria mais condolências do que a reverência que ele já inspirou com seu estilo próprio de "Czar Boris".
Sete anos atrás, quando completou 61 anos em 1º de fevereiro de 1992, Yeltsin reuniu-se com o presidente americano George Bush em Camp David para consolidar um relacionamento pós-Guerra Fria apenas um mês depois de o líder do Kremlin ter declarado o fim da União Soviética.
Ele era um líder vigoroso, popular, cuja coragem física ao unir democratas contra um golpe de linha dura em agosto de 1991 deu a ele a estatura interna e externa para suplantar o então líder soviético Mikhail Gorbachev e, dois anos depois, impor uma constituição que concedeu a eles imensos poderes.
Apesar de ele ainda ter no papel esses poderes, é Primakov, um ex- chefe de espionagem mais de um ano mais velho do que o presidente, que é cortejado por líderes estrangeiros e cujas palavras são escrutinadas em busca de indicações de seu próximo passo político.
Recém-chegado de encontros no Fórum Econômico Mundial em Davos, Suíça, com o vice-presidente dos EUA, Al Gore, e líderes financeiros, Primakov prestou homenagem a Yeltsin na clínica Barvikha, nos subúrbios de Moscou. Ele não ficou por muito tempo.
O presidente está em Barvikha desde sábado, quando recebeu alta do hospital quase duas semanas depois de ter sido internado às pressas por causa de uma úlcera estomacal hemorrágica - a última de uma série de doenças a restringir suas atividades.
Jornais russos praticamente não mencionaram seu aniversário, apesar de estações de televisão terem mostrado brevemente um filme distribuído pelo Kremlin dele saudando Primakov, o patriarca ortodoxo Alexiy II e seu chefe do Gabinete Civil, Nikolai Bordyuzha.
Os três brindaram com um sorridente Yeltsin com o que parecia ser champanhe, mas as imagens foram cortadas antes de o presidente levar sua taça aos lábios. Médicos dizem que sua úlcera exige duas outras semanas de convalescência, apesar de ele não precisar de cirurgia.
Mais cedo hoje, aparentemente reagindo a emendas parlamentares ao orçamento de 99 de Primakov que cortaram em 40% verbas da presidência, ele decretou um fim de seu apoio a uma longa lista de projetos de desenvolvimento econômico.
No fim de semana, Yeltsin ordenou a reorganização do pessoal do Kremlin, também para cortar custos.
Desde que o apoio de empresários e da mídia o ajudaram a derrotar o desafiante comunista à sua reeleição em 1996, o índice de aprovação de Yeltsin há muito não chega a 10%.
Percebendo a presa ferida depois que ele foi forçado a retirar a indicação de seu candidato favorito para primeiro-ministro depois da crise financeira do ano passado, comunistas na Duma Estatal (Câmara baixa do Parlamento) têm aumentado esforços para aprovar seu impeachment.
Hoje, o linha dura Viktor Ilyukhin afirmou numa reunião da comissão de impeachment que Yeltsin era culpado de "genocídio" do povo russo devido ao caos econômicos de suas reformas de mercado.
A constituição torna praticamente impossível o impeachment, mas alguns analistas argumentam que isso explica apenas parcialmente a falta de interesse pelo processo.
Mais significativamente, muitos congressistas simplesmente sentem que Yeltsin é agora irrelevante, 18 meses antes do fim de seu mandato.

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