Jacarta, 01 (AE-REUTERS) - Legalistas indonésios em Timor Leste afirmaram hoje (01) que eles estarão se dirigindo à Jacarta para adquirir armas, temendo uma guerra civil caso o território obtenha a independência.
Segundo eles, vários ativistas pró-Indonésia estarão viajando hoje e amanhã para pedir por armamentos, ao mesmo tempo em que centenas de separatistas marchavam na tensa capital timorense, Dili.
Basílio Dias Araújo, um ativista pró-Jacarta que trabalha para o governo em Dili, afirmou à Reuters: "Nós viajaremos hoje à Jacarta para pedir armas para nossa proteção. Também amanhã, cerca de 100 pessoas nos seguirão".
Entretanto, alguns ativistas pró-independência acusam membros de gangues rivais de estocar armas e assassinar jovens que se recusem a se unir a eles.
"Os grupos pró-Jacarta já estão armados e os residentes, a maioria jovens, estão sendo intimidados e forçados a se unir às milícias sob ameaça de morte em caso de recusa", afirmou o ativista pro-independência Amandio Araújo.
Montados em caminhões e motocicletas, os manifestantes pró-independência tomaram as ruas de Dili hoje gritando "Viva Timor Leste!". Não houve registro de problemas.
Na semana passada, o governo indonésio afirmou estar considerando conceder independência a Timor Leste - depois de 23 anos de domínio sobre a ex-colônica portuguesa.
Segundo Jacarta, o mais alto corpo legislativo, a Assembléia Consultativa do Povo, deverá analisar a independência depois das eleições gerais de 7 de junho caso os timorenses rejeitem uma oferta de autonomia que lhes daria o controle sobre a maior parte dos assuntos políticos do teritório.
A Indonésia invadiu o Timor Leste em 1975 e o anexou ao seu território no ano seguinte, uma atitude não reconhecida pelas Nações Unidas.
Os grupos timorenses pró-Indonésia temem que a independência poderia trazer de volta uma guerra civil que se seguiu à retirada repentina de Portugal do território em 1975.
Hoje, o ministro das Relações Exteriores da Austrália, Alexander Downer, afirmou que a autonomia é a melhor saída para o Timor Leste.

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