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segunda-feira, 01 de fevereiro de 1999
Por Márcia de Chiara 
São Paulo, 01 (AE) - O ano começou em baixa para o comércio. Nem a desvalorização do real em relação ao dólar nem os boatos de confisco das aplicações financeiras provocaram uma corrida às compras no fim de semana.
Números da Associação Comercial de São Paulo (ACSP) revelam que
no mês passado, as consultas ao Serviço de Proteção ao Crédito (SPC), termômetro das vendas a prazo, caíram 11,9% em relação a janeiro do ano passado. Em janeiro, a entidade registrou 1.080.834 consultas para o crediáruo, ante 1.227.254 em igual período de 1998. As consultas recebidas pelo Telecheque, serviço que dá uma idéia do movimento das compras à vista e com cheque pré-datado, também recuaram 5,5% no período. Em janeiro deste ano, foram registradas 1.412.010 consultas e, em igual período de 1998, foram 1.493.526 registros.
"O impacto da desvalorização foi pequeno e, com a crise, o consumidor não alterou o perfil de compras de forma significativa", diz o economista da ACSP, Marcel Solimeo. Ele acredita que os reflexos das mudanças serão sentidos de forma mais intensa neste mês.
A prova de que o consumidor está cauteloso é que no fim de semana, o último do mês, houve uma retração de 3,1% nas consultas ao SPC em relação a igual período da semana anterior e de 6,6% ante igual período de 1998. No Telecheque, houve um aumento de 5,4% no número de consultas ante o fim de semana retrasado e um recuo de 0,8% ante os mesmos dias de 1998. "O pânico da corrida aos bancos não se refletiu numa corrida às compras", diz Solimeo. Ele diz que o medo do desemprego e os juros altos estão falando mais alto do que a perspectiva de aumento de preços. Para o presidente da ACSP, Elvio Aliprandi, a cautela do consumidor é positiva porque breca alta de preços.
Calote - A inadimplência do consumidor teve um recuo de 1,7% em janeiro em relação a igual período de 1998. Mas o número de carnês em atraso continua alto, com 356.932 inadimplentes. A recuperação de crédito cresceu 13,1% no mês passado na comparação com ano anterior. O número de concordatas e de falências requeridas recuou 46,4% e 18,3%, respectivamente, no mês passado comparado com janeiro de 1998.
Segundo Solimeo, o calote do consumdor deverá crescer neste mês e no próximo por causa do aumento das taxas de juros e da desvalorização cambial que resultou no aumento das prestações de finaciamento de veículos atreladas ao dólar.
Impacto semelhante é esperado na saúde financeira das empresas. Nas previsões do presidente da ACSP, o número de falências e concordatas requeridas em São Paulo deverá aumentar nos próximos meses por causa da recessão, dos juros altos e da desvalorização da moeda nacional nas finanças das empresas com dívidas em dólar.


