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segunda-feira, 01 de fevereiro de 1999
Por Vânia Cristino e Gustavo Freire 
Brasília, 01 (AE) - O clima de preocupação que tomou conta da população na sexta-feira passada, com informações desencontradas sobre pacote e confisco, fêz com que os clientes da Caixa Econômica Federal sacassem, em todo o país, R$ 500 milhões. A informação é da gerência da área Bancária da Caixa. No Banco do Brasil a assessoria de imprensa informou que o movimento de saques foi cerca de R$ 100 milhões acima da média diária, geralmente em torno de R$ 200 milhões. As duas instituições informaram que o dinheiro começou a retornar às agências hoje.
Segundo a Caixa Econômica Federal o movimento nas suas agências
na sexta-feira, foi maior que em dias normais, com predominância nas regiões sul e sudeste. Algumas agências da Caixa ficaram sem dinheiro, tendo a instituição de recorrer ao Banco do Brasil. O movimento de sexta-feira, segundo a Caixa, ainda iria se refletir no dia de hoje, pois muitos clientes tiraram recursos de aplicações para a conta corrente. O BB informou que o maior movimento nas suas agências ocorreu em Brasília, Rio de Janeiro e em algumas cidades do nordeste, com destaque para Fortaleza (CE).
De acordo com o departamento do Meio Circulante do Banco Central (Mecir), a demanda do sistema financeiro foi positiva na última sexta-feira em R$ 750 milhões. O número, no entanto, foi considerado "absolutamente normal" e dentro das médias de outros meses. O BC, de acordo com a sua assessoria de imprensa, chegou a registrar em alguns dias de dezembro uma demanda por papel moeda de R$ 1,8 bilhão e de R$ 873 milhões. No mês de janeiro, o BC havia verificado uma devolução líquida de numerário recebido pelos bancos de R$ 2,8 bilhões.
O departamento do Meio Circulante do BC informou ainda que a demanda extra dos clientes da rede bancária, na sexta-feira, foi em grande parte suprida por dinheiro da tesouraria dos próprios bancos e também pelo Banco do Brasil, que atua em nome do Banco Central nas regiões que não contam com delegacias regionais do BC. O chefe do departamento de Fiscalização do BC, Luiz Carlos Alvarez, negou que os bancos tenham tido problema por conta dos saques feitos pelos clientes. De acordo com Alvarez o movimento nas agências bancárias, apesar de intenso, não implicou em
Segundo o Banco Central a corrida às agências bancárias na sexta-feira pode ter provocado perda para os clientes, que optaram por sacar recursos de suas aplicações antes do prazo. De acordo com a tabela fornecida pelo departamento de Cadastro e Informações do BC (Decad) a perda por sacar o investimento do CDB (Certificado de Depósito Bancário) 10 dias antes da data do vencimento foi de 1,51%.
Esse percentual é de 0,93% na poupança; 1,37% no FIF de 30 dias; 4,73% no FIF de 60 dias, podendo ter chegado a 13,16% no Fundo de Investimento Financeiro (FIF) de 90 dias. Todos esses percentuais valem para as aplicações sacadas 10 dias antes do prazo de vencimento.
Nos exemplos fornecidos pelo Decad, um cliente que tivesse aplicado R$ 10 mil no FIF de 90 dias teria, ao final do período, R$ 11.316,00. Como ele sacou 10 dias antes, ele perderá todo o rendimento, ou seja, R$ 1.316,00. O Banco Central explicou que, no caso antecipado do saque da poupança e do CDB, o valor perdido pelo cliente é revertido para o banco, detentor da aplicação. No caso dos fundos, a perda dos clientes que sacaram antes do prazo é revertida para a valorização das cotas dos investidores que permaneceram aplicados. A tabela do Banco Central demonstra que, quanto mais longe do vencimento estava a aplicação, menor a perda para o cliente. No CDB, por exemplo, faltando 20 dias para a data do saque, a retirada antecipada implicaria numa perda de 0,67%, chegando a 12,07% a perda para o saque 20 dias antes do prazo no FIF de 90 dias.


