Buenos Aires, 01 (AE) - Durante fevereiro e março, os ministérios argentinos terão de fazer um drástico ajuste: eles terão 30% menos dinheiro do que o previsto. A redução - anunciada por enquanto para esses 60 dias - é a primeira parte de um amplo pacote de ajuste fiscal que está sendo preparado pelo ministro da Economia, Roque Fernández.
O motivo é a crise brasileira, que está tendo profundos efeitos na economia argentina.
No ano passado, o ministro já reduzira as despesas orçamentárias em US$ 1 bilhão. Para 1999, o corte pode ser repetido e até ampliado. Além do corte no orçamento, Fernández pretende ampliar para os setores do comércio e de serviços uma redução das contribuições sociais, que já está sendo aplicada para a indústria e a agricultura.
Outra medida é a redução das tarifas alfandegárias da importação de bens de capital de 14% para 8%. Essas medidas significarão uma arrecadação menor para o Estado argentino, e por isso, seria realizado o corte orçamentário.
Não só o governo está apertando o cinto: diversas empresas estão reprogramando seus investimentos no país. A Volkswagen decidiu suspender US$ 250 milhões de investimentos na fábrica de Córdoba. A empresa petrolífera YPF também anunciou cortes: o investimento este ano cairá de US$ 1,5 bilhão para US$ 1,25 bilhão.
Diversos analistas econômicos, entre eles, Arnaldo Bocco, consideram que a crise provocará um aumento no índice de desemprego, que na última medição, em outubro, havia sido reduzido para 12,4%.
No entanto, a partir de abril, o desemprego argentino poderia subir para 15%. As empresas do setor automobilístico já anunciam férias coletivas, como um prólogo às demissões: há quase 9 mil trabalhadores parados e especula-se que nas próximas semanas, poderiam ser demitidos 4 mil.
Segundo Enrique Mantilla, presidente da Câmara de Exportadores da Argentina, "no mínimo", o impacto da crise brasileira poderia causar a perda de 220 mil empregos.
Empregos - Dado o forte impacto da crise brasileira sobre a economia argentina, o governo pretende criar um programa de criação de empregos de US$ 150 milhões, com os recursos provenientes dos cortes no orçamento dos ministérios, segundo um porta-voz do Ministério da Economia.
"Estamos redistribuindo dinheiro que já está incluído no orçamento e não cortando despesas", afirmou o porta-voz. Ele comentava reportagem publicada hoje pelo jornal Clarín.
De acordo com a publicação, os cortes teriam o objetivo de contrabalançar a redução de cinco pontos porcentuais num imposto sobre folha de pagamento, que vai beneficiar os exportadores imediatamente e as empresas não exportadoras terão esse imposto reduzido a partir de abril.

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